11 março, 2008

SEXO NAS CAVERNAS


O grande problema da antropologia contemporânea, além de saber se o Kassab faz parte dos Sapiens, é destrinçar o momento em que nossos antepassados, talvez movidos por uma câimbra ou um espinho mais acerado, puseram-se de pé, transformando-se naquilo que Platão denominaria de único “bípede implume” — definição que perdoamos ao filósofo, uma vez que ao seu tempo ainda não haviam se desenvolvido outras formas de vida irracional, como a dos corretores da Bolsa.

Minha curiosidade, contudo, vai um pouco além, mais precisamente até o ponto em que, já de pé, os homens tiveram sua primeira relação sexual (o termo “homens” aqui, obviamente, é utilizado no sentido de “espécie humana”, uma vez que o homossexualismo — forma de relacionamento em que não é preciso conversar durante o café-da-manhã — só seria registrado mais tarde, no Egito e em algumas outras civilizações antigas, como Pelotas).

Imagino o instante em que, ainda um pouco desequilibrado e sentindo as primeiras dores de coluna, nosso tataravô se aproximou de nossa tataravó e, penteando as sobrancelhas com um pequeno arbusto, lançou charme, em sua linguagem primitiva.

— Pô, aí, mó legal esse lance, tá ligada?
— Só.
— Tu curte numa nice esse troço, meu?
— Só.
— Mermo?
— Só.
— Topas dar um créu pra desembaçar, então?
— Só.
— Só...

O homem piscou então um olho para a mulher, deu um beijo em sua face (donde provavelmente nasceu a primeira idéia da lâmina de barbear), fez um carinho em seu queixo, sorriu meigamente, desceu a clava em sua cabeça e a arrastou pelos cabelos para uma caverna remota.

Começaram aqui as dificuldades do nosso antepassado. Em primeiro lugar porque, tendo praticado o coito sempre com a parceira ajoelhada e de costas para ele, não conseguiu achar de pronto o órgão sexual da moça. E depois porque, vendo o falo de frente, a mulher provavelmente se assustou:

— Uma cobra! — deve ter gritado, desferindo uma porrada no pênis ancestral com uma pedra de médio porte, o que deixou nosso genearca prostrado no chão por uma meia hora, gemendo. Ao que ela se irritou: — Que lance é esse? Você me traz aqui e só você goza?

Após ter inventado os primeiros palavrões, um pouco mais calmo e com o conhecimento rudimentar que possuía, ligeiramente mais extenso que o de uma professora de Educação Sexual, explicou de que se tratava aquele instrumento e seus objetivos. Tomou novo alento e se preparou para a função. Todavia, lançando os olhos mais uma vez sobre o membro, a mulher não pôde deixar de rir:

— Uh, uh, uh. Como é feio, coitado! Careca e vesgo! E aquelas coisinhas balançando ali embaixo? Ih, ih.

Um anticlímax, sem dúvida. Mas deve ter sido enquanto a mulher gargalhava, de pernas para cima, que o homem descobriu onde se escondia o sexo feminino. Na ânsia de consumar o ato, contudo, ou por ter idéias muito avançadas para a época, errou o alvo, o que provocou um berro assustador por parte da fêmea.

— Uaaaaaaaai, caceta, isso dói! Sodomia, não!

Em seu debute, nosso antepassado não ultrapassou esses primeiros passos, segundo penso. O sexo propriamente dito só deve ter surgido numa segunda oportunidade, quando já estava mais experiente, tendo descoberto que a coisa se daria de melhor forma se ele se deitasse por cima da parceira e levasse uma caixa de bombons.

Porém, os estudiosos concordam em ao menos um ponto: foi naquele dia que surgiu a masturbação.

2 comentários:

Jens disse...

Sexo, sexo, sexo... Me lembro vagamente do assunto. Parece que era bom.
***
O pessoal de Pelotas manda lembranças e um convite para uma visitinha amigável.

sandra camurça disse...

Bons demais, o texto e o sexo, evidentemente, e eu não acho o orgão de vocês feio, não, eu adoro.
Ó, vim aqui também para parabenizar pelo seu Sport, aquela "coisa" tá virada...argh.