17 março, 2008

MOVIMENTO MARXISTA PELA LIBERTAÇÃO DAS MASSAS (Parte 1)


(Grande aglomeração diante da porta de um supermercado. Gritos de ordem, cartazes, bandeiras vermelhas. Um sujeito com megafone, de boina, bolsa e sandálias de couro lidera a manifestação. O gerente, irritado, sai para conversar com os manifestantes, que são contidos por seguranças.)

GERENTE: Mas o que é isso, afinal? Quem são vocês? Não vou admitir saques no meu estabelecimento!

LÍDER: Nós somos do MMLM, Movimento Marxista pela Libertação das Massas, e estamos aqui para marcar posição contra a barbárie secular que vem vitimando as massas de todo o mundo desde o advento da primeira Revolução Nutricional, detonada na Inglaterra, em meados do século XVIII.

MANIFESTANTES: (em coro) A massa, unida, jamais será cozida! A massa, unida, jamais será cozida.

GERENTE: Co-como?

LÍDER: Isso mesmo, come. Há séculos o homem vem comendo impunemente pastas e derivados de todos os tipos, submetendo nossos irmãos farináceos às torturas mais cruéis pelo vil prazer de se alimentar. Chega. É hora de darmos um basta nessa situação.

GERENTE: (indignado) Mas, mas... Cidadão! Eu creio que quando Marx falava das massas, ele estava se referindo aos espoliados, ao lumpen, enfim...

LÍDER: Sem dúvida. Espoliados ao lumpen, espoliados al sugo ou mesmo al dente, não interessa. Chegou o momento de eles se libertarem. Marx já dizia: a mercadoria é um fetiche. E como fetiche, ela tem todo o direito de se realizar sexualmente.

MANIFESTANTES: (em coro) Abaixo a panificação! Abaixo a panificação!

GERENTE: Fetich...? Você é louco? Meu amigo, o fetiche a que Marx se refere é decorrente do processo de naturalização. Não tem nada a ver com sexo! Ou você acha que o velho mantinha relações eróticas com polpettones, por acaso?

LÍDER: Você diz isso porque faz parte do sistema — sistema que reprime os meios de comunicação das massas, impedindo que elas se expressem. Pra você, a pasta é apenas uma coisa, um produto sem vida própria. É como se um fettuccini não tivesse alma ou um rondelle não possuísse voz, não pudesse manifestar seus desejos e angústias.

GERENTE: (vermelho de raiva) Um rondelle expressando suas angústias! Isso não acontece nem com o bacalhau, que é um alimento escandinavo, meu senhor!

MANIFESTANTES: (em coro) ¡No asarán! ¡No asarán!

(CONTINUA AMANHÃ)

4 comentários:

Ane Brasil disse...

clap, clap, clap, clap!
hiláááááário!
Isso me lembra da vez em que eu convoquei o senhor nego véio pra agitar as massas e ele jogou pra fora todos os miojos do armário!
Sorte e saúde pra todos
Hei, me manda um e-milho: anelisebrasil@hotmail.com e a ceva tá marcadíssima!

Ana Areias disse...

oxi coninho, é tudo culpa da macdonalds!
adorei!!!
saudades de ti, farrapeiro...
beijo!

Rui de Lucca disse...

Adoro seu tipo de humor, Marconi.

Venho ao blog sempre, e leio tudo que posso, embora na maioria das vezes fique calado.

Parabéns.

Rui de Lucca disse...

Convido-o a visitar o meu:

http://espereevejahome.blogspot.com