25 fevereiro, 2008

MEU PLUTÃO BRASILEIRO


(Texto escrito originalmente em 25/08/2006. Afinal, continuo aqui no Recife, em árdua luta contra ostras, lagostas e crustáceos em geral. Quem quiser me ajudar neste momento de dor que atravesso, favor enviar uma caixa de single malt.)

Semana passada, uma notícia me deixou atólico e, pior, fez com que me sentisse um ignorante por não saber o significado da palavra “atólico”: Plutão, imaginem vocês, foi rebaixado para a segunda divisão do campeonato intergaláctico e, a partir de agora, não é mais considerado um planeta, passando a ser identificado como um astro de menor grandeza, como os meteoros e o Nelson Ned.

Vi a reunião de astrônomos de todo o mundo para a votação de matéria tão importante, sem a qual o futuro da humanidade estaria irremediavelmente comprometido, e fiquei imaginando se a discussão fosse feita no Brasil.

Para começo de conversa, o assunto não seria tratado por astrônomos, um povo que vive com a cabeça nas nuvens e nada entende dos interesses públicos, e, sim, no Congresso Nacional.

Ali, o nobre deputado Pacóvio dos Santos, de Cudomundópolis do Sul, após receber dinheiro de um lobista, apresentaria uma emenda, defendendo que o planeta não perdesse seu status. A bancada do cometa Harley, sustentada por grandes empreiteiros, logo se inflamaria, exigindo o mesmo tipo de tratamento para o corpo celeste de sua predileção.

Então, pensando na futura instalação de uma Assembléia Legislativa em Urano, um grupo de congressistas apoiaria todas as iniciativas acima, contanto que Júpiter passasse imediatamente à categoria de sol.

— Absurdo! Se Júpiter virar um sol, Urano tem no mínimo que subir à condição de planeta habitado, como a Terra! — gritaria um exaltado parlamentar, calculando os recursos que proviriam de uma possível cobrança de IPTU na região.

A proposta seria examinada. Bem como uma, que pretenderia elevar os satélites da SKY e da DirecTV da condição de artificiais para naturais e ainda outra, que preveria a abertura de uma licitação para a construção de uma estrada ligando Feira de Santana à lua.

Por aí se seguiriam acaloradas disputas. Até que, no curto espaço de três anos e sete meses de sérios debates e após um pequeno gasto de R$ 50 bi do orçamento, finalmente teríamos o resultado do imbróglio.

A partir de 2015 o sistema solar passaria a contar com três sóis (sendo Marte considerado suplente), trinta e três planetas (sendo dezenove ricos em oxigênio), quatrocentos e vinte e dois satélites (sendo o Piauí um deles) e um milhão, trezentos e quatorze mil impostos e taxas, retroativos ao ano de 1500, para cobrir seus custos de manutenção.

4 comentários:

Eduardo "Bloom" Mineo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anônimo disse...

Fiquei imensamente feliz por você ter citado minha estimada terra natal.
O povo de Cudomundópolis do Sul o aguarda de braços abertos.

Jens disse...

Atólito não tem no meu dicionário, mas se for coisa com a mãe no meio, vou avisando: é a tua!
***
Vamos produzir, porra!

Anita disse...

Marconi,

tá dando uma de Guimarães agora? Neologizando?


Acho que Júpiter pode ser sol. Está bem para mim?

Mas vem cá: o que é atólito? Diz!