05 dezembro, 2007

CLÁSSICO MITOLÓGICO


— Muito bem, amigos helenos, eu sou Hesíodo e você está ligado na Rádio Atlas. (entra vinheta da rádio) “Rádio A-tla-tla-tlas. Levamos o mundo do esporte greco-romano até você. E levamos sobre os ombros”. (voltando a falar) Estamos aqui hoje em mais uma epopéia esportiva para transmitir direto de Creta aquele que é um clássico da mitologia contemporânea. Nesta tarde, a equipe de Teseu enfrenta a do Minotauro. Irá o herói ático derrotar a fera insular e interromper sua seqüência de vitórias que já dura anos? É o que todos se perguntam. Aqui, ao meu lado, o comentarista do hexâmetro abalizado, Eurípides. E então, Eurípides, que você acha do enfrentamento de logo mais?
(com uma máscara teatral no rosto) Oh, Zeus, calar-me-ei, ó Heríodo! Nada direi de momento tão desazado, pelos deuses inclementes!
— Deixa de tragédia, Eurípides.
— Ó Hêsi, digo que teremos de esperar até o último momento para afirmar que este ou aquele foi feliz! Que os deuses a ambos sejam propícios!
— Não quer arriscar um vencedor, então?
— Quem vence, não sei. Mas o perdedor sofrerá e lamentar-se-á bastante no final. Oh!
— Muito bem. À minha esquerda, a língua mais afiada do mundo banhado por Oceano: Aristófanes. E aí, Ari, quais são suas impressões?
— Minha impressão, aliás, minha certeza é que a culpa é de Cleon, aquele demagogo.
— Como? Não, digo, a respeito do jogo de logo mais. Quem sairá vencedor?
— Acho que perde Atenas.
— O Minotauro vence, então?
— Sei lá. Mas com a subida de Cleon ao poder, Atenas perde, isso é certo.
— Não quer arriscar? Vai fazer como Eurípides?
— Não me xinga, hein? Você por acaso tá me vendo com gestos efeminados, compondo maus versos ou querendo dar a...
— Err... Bom... Os dois times adentram o anfiteatro. Vamos até lá, ao palco do espetáculo, onde está Apolodoro. Apolodoro, é com você.
— Boa tarde, ouvintes. Me permitam, antes de mais nada, meter a mão nessa discussão, pois os talheres não são usados ainda. Começo dizendo que o mundo dá muitas voltas, porque...
— Desculpe, Apolodoro, mas o mundo é plano.
— Não, meu caro Hesíodo, o mundo gira ao redor do sol, já dizia Aristarco de Samos.
— É plano!
— Gira!
— Gira é você! Maluco!
— Posso ser maluco, mas pelo menos não sou cego!
— Cego? Cego é Homero, seu animal! De mim, o máximo que se pode dizer é que seja beócio! Você... (constrangido, percebendo que está no ar) Hum... Peço desculpas, Apolodoro.
— Não hades ser nada. Bem, por falar em animal, estou aqui com ele que é conhecido por não ter hierofantes na língua, the one and only...
(interrompendo) Por favor, Apolodoro, peço em nome dos ouvintes que não use a língua dos bárbaros.
— Ora, tô aqui com o Minotauro. E então, Mino, como vão as coisas?
— Olha, mais ou menos. Às vezes, eu me sinto assim meio sem saída...
— E esse babado aí?
— Desculpe, não foi minha intenção.
— Não, digo, esse babado, esses boatos que andam espalhando sobre seu pai.
— Olha, Apô, Teseu pode dizer que meu pai tinha cornos, eu aceito. Mas, pelo menos minha mãe não era uma vaca, como a dele. (CONTINUA NA SEXTA-FEIRA)

4 comentários:

GUGA ALAYON disse...

Que continue toda as sextas. Bravo!

Josias de Paula Jr. disse...

Merece mesmo continuação.

Saramar disse...

Marconi, ó Único...capaz de esculhambar com os deuses.
rsssssssssssssss...
Estava saudosa deas gargalhadas que sempre surgem quando você aparece digo, eu apareço.

beijos

Ane Brasil disse...

boa, Marconi!
Isso sem contar que "clássico é clássico e vice-versa"!
kuaaaa... a rádio Atlas leva a informação nas costas até você hehehe... caraio, e o Aristófanes de comentarista esportivo... hehehe
Sorte e saúde pra todos!