07 dezembro, 2007

CLÁSSICO MITOLÓGICO (2)


— Mino, independentemente do resultado do jogo de hoje, o fato é que você tem fãs espalhados por todas as ilhas, todo o mundo te teme. Tenho impressão de que o público se interessaria por ver seu lado mais humano...
— Bom, Apô, meu lado mais humano tá aqui, ó: ali temos os pés, aqui as coxas, o pinto...
— Não, não! Quer dizer, gostaria de saber o que você faz nos momentos de folga, por exemplo.
— Ah, eu gosto de comer uma virgem. Ou melhor, sete virgens.
— Assim, de cara? Você não toca uma lira, não toma uma cratera de vinho de Falerno, não passa uma cantada...?
— Bom, cantar eu canto. Veja bem, gosto muito daquela música do Monsueto: (cantando) “Mora... na mitologia...”
— Sei. E você curte a night?
— Não, prefiro curtir pela manhã. Abro meu coração com você, Apolodoro, que é um homem que tem história. Ultimamente, não tenho visto a luz no fim do túnel, sabe?
— Que é isso. Relaxa, bicho. Boa sorte pra você. Bom, Hê, dá pra perceber duas pontas de melancolia nas palavras do Minotauro. É com você.
— Muito obrigado, Apolodoro. Do que acabamos de escutar, uma certeza ao menos fica: o Minotauro certamente está com uma pulga atrás da orelha. Ou isso ou berne, o certo é que deu para ouvir daqui ele se coçando. Mas agora está com o heróico Teseu aquele que é o mais dialético dos repórteres esportivos: Zenão de Eléia. Não é isso, Zenão?
— Estaria, Hesíodo. Isso, se eu conseguisse me deslocar até ele.
— Muita gente atrapalhando o caminho?
— Não, ninguém. Mas o fato é se pegarmos a distância que vai de mim até onde tá o filho de Parsifae e separá-la em pequenos espaços do tamanho dos meus pés, cada passo equivaleria...
— Tá, tá. Tudo bem, Zenão, então pergunta daí mesmo!
— Muito bem, vou gritar. Teseu! Teseu! A pitonisa disse que você vai sair vencedor da batalha. Como você se sente?
— Bem, Zenão, você sabe perfeitamente que a mitologia é uma anforazinha de surpresas. Ora, se os mistérios ganhassem jogo, os campeonatos em Delfos terminariam sempre empatados.
— Verdade. Mas qual será sua estratégia para esta tarde?
— Tentaremos entrar na cancha adversária com cuidado. A princípio, vamos ser colocados contra a parede, eu sei, mas vamos tentar não perder a linha e ir avançando de pouco em pouco.
— Você conta com a impaciência do Minotauro, então?
— Sem dúvida. No final, quem mantiver a cabeça no lugar sairá vencedor.
— Para terminar, uma última pergunta, Tesa: quais são os afluentes da margem esquerda das amazonas? Uh, uh. Sacaneei. É com você, Hesíodo.
— Muito bem, amigos, o arconte vai apitar e... é iniciada a partida. Teseu parte para o ataque, entra no campo adversário e... Ué? Onde é que eles tão? Os dois oponentes andam muito sumidos no jogo, Eurípides.
— Oh, Hê, tenho um terrível pressentimento!
— Aristófanes?
— A culpa é de Cleon! A culpa é de Cleon!

5 comentários:

Sandra Cristina disse...

rsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrsrs muito bom, vc como sempre com ótimos textos. qdo crescer quero ser como vc :) beijos

Tatiana disse...

mpletamente non sense..adoro isso!

Moacy Cirne disse...

Seus clássicos mitológicos são verdadeiros clássicos antológicos. Um abraço.

Ane Brasil disse...

kuaaaaaaaaaaaaa!
"a culpa é de cleon"
hehehehe
Cara, sempre bom ler os clássicos da mitologia... e o melhor é que naquele tempo não existia a FIFA!
sorte e saúde pra todos!

abominnavel disse...

Eu quero saber como conseguiram fazer a transmissão no meio do labirinto...