O SUBPENSAMENTO VIVO DE MARCONI LEAL (6)
O crítico literário é o único bípede autotrófico de óculos de que se tem notícia: alimenta-se do próprio ego. Seu habitat artificial são as mesas de discussão, as noites de autógrafo e outros ambientes inóspitos. Tem o corpo dividido em língua, tronco e membros.
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Que nós temos ínfima importância nos planos divinos e possuímos a única missão de reproduzir, eu sei. O que me deixa indignado é que Deus faz tão pouco caso da nossa espécie que nem ao menos se digna a explicar por quê.
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O único mérito da sociologia, a meu ver, foi ter impulsionado o comércio de boinas.
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O diabo não é páreo para Deus. Trata-se de uma criatura ainda muito humanizada. Em termos de mal absoluto, aposto mais nos vilões de telenovela.
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Deus está em tudo, é verdade. Mas confesso que gosto mais d’Ele quando vem em cápsulas de 20 mg de fluoxetina.
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Não é que Deus não exista. Você é que jejuou pouco.
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Sou agnóstico, com alguma — pouca — propensão à crença. Isso, se a televisão estiver desligada.
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Não tenho aptidão ou habilidade para coisa alguma. Qualquer dia, em nome da sobrevivência, serei forçado a abraçar a carreira de artista plástico.
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O mínimo que se espera numa relação é reciprocidade. Eu até acreditava em Deus. Mas que posso fazer se ele é ateu com relação a mim?

14 comentários:
Rapaz, o seu "(Sub)pensamento" continua mais vivo do que nunca. Balaio nele!
Às vezes, até tenho vontade de acreditar em deus, mas aí ligo a TV e vejo Nelson Jobim e desisto logo.
Marconi,
gostaria de saber se vc tem textos não-cômicos. O seu humor é de tão alto nível que fiquei curioso de lê-lo em versão séria. Se tiver link, me dá por favor.
Eae, camarada?
Voltando ao teu blog, te dar um dica, anota aí:
http://rufardostambores.blogspot.com
É de um amigo, só crônicas.
Abç.
Pra que estudar sociologia, se Marconi Leal já resumiu tudo?
Abraço,
Marconi, não seja tão severo consigo mesmo. Antes de sair por aí, tentando abraçar a árdua tarefa de fazer colagens com palitos de picolé, faça como o xibungo do Franciel: vai ser foca na vida.
Marconi pensando... bem que senti um cheiro estranho por aqui.
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Um abraço. Bom feriadão.
PS:
O Feriadão é primo do Alfredão?
Paulo, texto não-cômico só tenho o dos meus livros infanto-juvenis, por enquanto. Ah, e os dos cheques sem fundo que passo.
Cheque sem fundo é texto não-cômico?
eu diria que é tragicômico!
Te linquei lá na gazeta, mermão!
sorte e saúde pra todos - e tomara que chova no feriadão!
Rsss,só vc mesmo,MArconi
Abração!!
o comércio de boinas também foi impulsionado por chico xavier. mas agora fiquei imaginando o FHC com uma boina...rs.
Aí rapá, tem um negócio encabeçado pra ti lá na Gazeta!
Vê se tu tá afim de levar a coisa adiante.
Senão, deixa quieto!
Sorte e saúde pra todos!
Marconi, tu é um figura indispensável na blogsfera e no mundo inquietante das letras...
Abração
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