26 novembro, 2007

O MITO DA CRIAÇÃO SOB A PERSPECTIVA DE UM PETISTA


No princípio era a mais-valia e Marx disse:

— Que la assemblée soit!

Porque vinha numa péssima tradução francesa. E ninguém entendeu, já que o lumpemproletariado estava falando muito alto e poucos dominavam o idioma.

E Marx impacientou-se:

— Ach! Hágase la cita, carajo!

E todos correram ao dicionário português-espanhol, mas a consulta demorou um pouco, pois houve alguma discussão sobre se a ordem alfabética deveria ser respeitada ou segui-la seria um passo neoliberal.

Ao que Marx gritou:

— Fiat lux! Fiat lux!

E lhe trouxeram uma caixa de fósforos.

E Marx suspirou e catou dois piolhos da barba para se acalmar. E em seguida, no escuro mesmo, fez uma parede. E separou uma parede da outra e ambas do teto. E, após alguma deliberação, fez o sindicato e achou bom. E foi este o milésimo primeiro dia da criação.

— Agorra, o luiz, porrr favorrr.

E lhe trouxeram o Lula. E Lula disse:

— Nunca antes na história desse país.

E Marx irritou-se:

— O luiz, apertem o interruptorr porr amorr de... do... Light! Turn the light on! Now! I’m loosing my opium of the people!

E fizeram circular uma ata de presença. E houve assinaturas. E após alguma exposição de argumentos, finalmente se fez uma segunda ata. E houve novas assinaturas. E a Comissão Encarregada de Julgar a Validade das Rubricas procedeu a algum debate, depois do qual iniciou conversações tendo em vista estabelecer regras claras para o exame daquelas. Comprovada a autenticidade das mesmas, fez-se uma ata. E após alguma troca de idéias, fez-se uma segunda ata corroborando a primeira. E os membros da Comissão Imbuída da Tarefa de Validação das Assinaturas da Comissão Encarregada de Julgar a Validade das Rubricas procederam a alguma excogitação. E lavrou-se uma ata. E a Comissão com a Atribuição de Revalidação das Assinaturas da Comissão Encarregada da Validação das Assinaturas da Comissão Encarregada de Julgar a Validade das Rubricas se reuniu. E foi este o bilionésimo segundo dia da criação.

E Marx, para conter a raiva, deu dois cascudos em Engels. E depois, desistindo de vez do homem, criou o marxismo vulgar. E para puni-lo por sua insubmissão, fez a língua presa e acrescentou mais quinhentas páginas a “O Capital”.
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9 comentários:

GUGA ALAYON disse...

ahahaha.
... e aqui estamos.

Jens disse...

Beleza. Agora só falta o camarada fazer a autocrítica.
Falando em Marx: não sabes de um bom remédio pra hemorróidas?
Um abraço, um tapaço nas costelas, uma boa semana...

Serbão disse...

eu estou gostando dessa série, do Mito da Criação, mas eu queria saber em que episódio Deus cismou de criar o ornitorrinco - ah e também os restaurantes que não aceitam cartão.

Cabamacho disse...

Aguardo ainda o mito da criação sob a perspectiva de Dunga, o anãolista da seleção.

Franciel disse...

Maestro, por favor, uma questão de ordem. Precisamos ainda de mais algumas reuniões para apresentarmos a proposta de nossa tendência, oquei?

DO disse...

Rsssssss,só vc mesmo,MARCONI

Abração!

Artur disse...

Hehe, genial!

Luciana G. disse...

Só perde para o mito sob a ótica de uma operadora de telemarketing...

Carlos (a.k.a. Dogmático) disse...

Medo! Muito medo! hehehehehe! Poxa, por um momento achei que estivesse falando de alguma reunião predial, tem degustação de piolhos de barba e tudo mais.

Abraço!
Carlos