01 novembro, 2007

O MITO DA CRIAÇÃO SOB A PERSPECTIVA DE UM JOGADOR DE FUTEBOL


No princípio era a bola e Deus disse:

— Faça-se o gol!

Mas não tinha ninguém para chutar. E Deus pegou um punhado de grama, passou saliva para dar a liga e depois soprou. E Deus criou o primeiro jogador de futebol: Cláudio Adão. E Deus achou bom. E foi esse o primeiro tempo da criação.

Em seguida, separou Deus a pequena da grande área e ambas da intermediária, e passou cal nas laterais do campo elísio. E foram esses os acréscimos do primeiro tempo da criação.

E depois fez Deus as traves, o círculo central, a arquibancada, os anjos para pôr na arquibancada para torcer pelo seu time e o ingresso a R$ 30. E Deus achou bom, porque tinha carteira de estudante e pagava meia. E foi esse o intervalo do primeiro para o segundo tempo da criação.

Mas como Deus achasse que o jogador de futebol estava muito só e não teria com quem gastar seus dólares ou a quem dar carona em seu carro importado, do cérebro do jogador de futebol, fez a maria-chuteira. E Deus achou boa. E foi esse o segundo tempo da criação.

Então Deus perguntou ao jogador:

— Preparado?

E o jogador ficou mudo, pois o verbo não habitava nele. Então, Deus, em sua infinita bondade, criou as expressões “caixinha de surpresa”, “a gente vamos”, “o professor”, “respeitar o adversário”, “vai ser um jogo difíce” e mais umas duas ou três. E foram esses os acréscimos do segundo tempo da criação.

Então Deus soprou do seu apito. E o jogador de futebol correu e, com classe, chutou a bola no ângulo. Mas o diabo foi lá e defendeu. E Deus, em sua equanimidade, mandou voltar o lance. Mas o diabo contestou:

— Roubo não, hein? Eu nem me mexi!

E Deus, em sua infinita bondade, deu um cartão amarelo para o diabo. E o diabo insistiu:

— Que marmelada! Só porque é o dono da bola!

E Deus reagiu e, com um cartão vermelho, mandou o diabo para o fogo eterno mais cedo. E o primeiro jogador chutou e marcou. E Deus comemorou:

— Goool! Rá-rá, ru-ru, o Paraíso é nosso! Rá-rá, ru-ru, o Paraíso é nosso!

E, na comemoração, o primeiro jogador tirou a folha de parreira que cobria as suas vergonhas, rodou-a sobre a cabeça e jogou para a maria-chuteira que estava na arquibancada.

E Deus não achou nada bom. E deu um vermelho para ele. E foi assim que, punido por conta da mulher e da cobra, o primeiro jogador foi expulso do campo elísio e teve que treinar de sol a sol para conseguir fazer gols com o suor do próprio rosto em um time da Segunda Divisão.
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OUTROS MITOS DA CRIAÇÃO
Sob a Perspectiva de um Deputado Federal
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(ANTES DE COPIAR E COLAR ESTE TEXTO ONDE QUER QUE SEJA SEM PEDIR AUTORIZAÇÃO OU DAR A AUTORIA, PARE, PENSE DUAS VEZES, PULE UMA CASA, PENSE MAIS TRÊS VEZES, REBOBINE A FITA E PENSE DE NOVO. OS TEXTOS DESTE BLOG ESTÃO DEVIDAMENTE REGISTRADOS NA BIBLIOTECA NACIONAL. PARECE INCRÍVEL E TALVEZ JÁ HAJA NO BRASIL UM MOVIMENTO CONTRA ESSA ARBITRARIEDADE, MAS POR ENQUANTO PLÁGIO AINDA É CRIME PREVISTO NO CÓDIGO PENAL. É VERDADE QUE ESTRANHOS FENÔMENOS DE CRÔNICAS APARECENDO PRONTAS EM COMPUTADORES NOS MAIS DIFERENTES RECANTOS DO PAÍS VÊM SENDO RELATADOS. MAS, AVISO AOS CRENTES: CUIDADO, ESTE BLOG É ATEU. EM MATÉRIA DE RELIGIÃO, SÓ ACREDITA MESMO EM ADVOGADOS, JUÍZES, NA POLÍCIA E NO SISTEMA PENITENCIÁRIO.)

14 comentários:

GUGA ALAYON disse...

saudações pentabambitricolinas nesta data.
abç

Moacy Cirne disse...

Hilário, como sempre, meu caro. E você está no Balaio. Com os devidos créditos, VIU?!? Um abraço.

Ane Brasil disse...

Hilááááário! Então quer dizer que "objetivando a vitória, sempre respeitando o adversário" não é uma frase de inspiração divina? hum, sempre suspeitei disso.

Nhá, quer dizer que num pode copiar e colar? humpf, guri bobo, feio e chato!
Sorte e saúde pra todos!

Halem Souza (Quelemém) disse...

O texto, mais uma vez, genial: mas não é disso que quero falar.
O meu Galo está quase escapando... E o Leão da Ilha, vai precisar de ajuda do todo-poderoso?

Espero que não. Um abraço.

Marcelo F. Carvalho disse...

Excelente crônica, Marconi! camisa 10 pra ela!

Vinícius disse...

Sempre genial tu, rapaz. Até mais

Francisco Sobreira disse...

Marconi,
Venho estimulado pelo que vi de você no Balaio do amigo Moacy e saio com a melhor das impressões. O humor irônico, irreverente, engraçado mesmo, nos pega no primeiro contato. E vejo que gosta de futebol, como eu e Moacy. Um abraço.

Franciel disse...

Marconi, como diria Mário Viana, "gooool legal". Na verdade, mais um golaço.
A propósito, quem inventou o ouvinte de resenha esportiva?
Pensei nisso agora por conta de um episódio que relato naquela intimorata emissora ingresiástica.

Prof Toni disse...

Muito bom... como fiquei com medo do aviso ao final do texto aviso-te que costumo distribuir seus textos por e-mail, mas com o devido crédito e o link para este formoso blog... Abração!

Oziel Alves disse...

Excelente crônica. Primeira vez que passo por aqui e serei visitante assíduo de seu blog.
Ahhhhh sou crente. Espero que vc não se importe!(Risos) Mas, literatura boa e bem escrita não se analisa pelo credo do autor.
Grande abraço
Att.
Oziel Alves

Vítor Sousa disse...

Aprazível descoberta, agudizada pelo facto de eu ser um português que também esboça letras. Hoje, os esquissos emergem no seu país, onde viverei até Janeiro.
Espero pelo seu contacto, e uma eventual troca de livros.

Grande abraço,

alvarêz dewïzqe disse...

forçou a barra mano brau... jogador de futebol não tem nada o que dizer. só quem diz é o professor, e tal.

Márcio Hachmann disse...

Redondinho!! :D

Bony Daijiro Inoue disse...

Seguindo orientação da minha psicóloga bisexual imaginária, voltei a ler o seu blog. Inclusive copiei este artigo no meu!