INTERREGNO (OU AOS AMIGOS, TUDO; AOS INIMIGOS, MAIS QUE A LEI)
Decepcionado há algum tempo com política, meu passatempo predileto atualmente é observar como direita e esquerda agem ou, antes, reagem exatamente da mesma maneira nas mais variadas situações da vida nacional.
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Falo isso porque, sob esse ponto de vista, o episódio do plágio de Fausto Wolff tem sido um prato cheio para mim. Eis que, chocado, vejo agora gente da melhor qualidade, cuja inteligência é incontestável, defender, por amizade, partidarismo ou qualquer outro tipo de conveniência, conceitos absurdos como, no caso de um plágio, a distinção entre “erro” ou "mal-entendido" e “crime”.
Abobado por natureza, mas mais ainda diante de tal raciocínio, me pergunto: que será que essas mesmas pessoas diriam, se o plágio ao meu texto tivesse sido feito por Reinaldo Azevedo ou Diogo Mainardi?
Já vejo a multidão com machados e lanças nas mãos, exigindo de mim, irada, o comportamento cabível ao caso: “Processo! Processo, já! É um canalha! É um calhorda!”
Abobado por natureza, mas mais ainda diante de tal raciocínio, me pergunto: que será que essas mesmas pessoas diriam, se o plágio ao meu texto tivesse sido feito por Reinaldo Azevedo ou Diogo Mainardi?
Já vejo a multidão com machados e lanças nas mãos, exigindo de mim, irada, o comportamento cabível ao caso: “Processo! Processo, já! É um canalha! É um calhorda!”
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Imagino a reação dessa mesma turba, caso o Reinaldo Azevedo resolvesse se explicar da seguinte maneira: “Olha, gente, desculpa. É que eu recebi um e-mail com o texto e, então, achei que ele não tinha autoria. Sabia lá, um negócio que vem pela internet, como é que eu ia adivinhar?”
Berrariam os mesmos que agora defendem a distinção entre “crime” e “erro”: “Forca! Cadeira elétrica! Mata o direiteca! Como é que um cara que é jornalista não vai saber que deve dar as fontes nem que seja dizendo: ‘texto de autor desconhecido’? Pô, até as rubricas do texto Tio Rei deixou! Deixou trechos completos! Pfff! Essa foi boa! O cara transcreve parágrafos inteiros, se faz passar por autor da crônica e vem com papo de ‘erro’? Que piada! Canalha! Morte ao canalha!’”
No entanto, a coisa muda inteiramente de figura quando o caso é Fausto Wolff. “Mas claro”, insistirá a malta como um coro grego de língua presa. “O Fausto? O Fausto tem passado! O Fausto é uma referência moral, rapaz! O Fausto, ha! Olha aí, o cara falando de um sujeito como Fausto Wolff como se ele pudesse cometer um crime! Conta outra, bicho.”
Aí eu, que sou dado a um diálogo, como vocês sabem, digo de volta: “Então vamos absolver o FHC, gente. O FHC tem passado, ués! Cometeu um errozinho de nada na presidência, que é que há! Chhh! O FHC... Mó íntegro! Quê? Comprar deputado pra aprovar o quê? Ahn? Reeleição? Como? Não tô ouvindo. Alô?”
Curioso é o momento em que isso acontece, porque também em defesa de Renan Calheiros se alega que é preciso esperar provas, também o PT faz esse malabarismo retórico, contorcionismo moral, para defender o indefensável, o que está patente aos olhos de qualquer pessoa medianamente dotada de neurônios e o que, se o partido estivesse na oposição, seria o primeiro a condenar.
Porém, algo cansado, me calo, e deixo o turbilhão passar, carregando suas faixas de desagravo e exigindo dos outros paciência, ponderação, justiça às avessas, enquanto penso comigo: “Em que esse povo difere de qualquer deputado do Democratas ou do PP?”
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Berrariam os mesmos que agora defendem a distinção entre “crime” e “erro”: “Forca! Cadeira elétrica! Mata o direiteca! Como é que um cara que é jornalista não vai saber que deve dar as fontes nem que seja dizendo: ‘texto de autor desconhecido’? Pô, até as rubricas do texto Tio Rei deixou! Deixou trechos completos! Pfff! Essa foi boa! O cara transcreve parágrafos inteiros, se faz passar por autor da crônica e vem com papo de ‘erro’? Que piada! Canalha! Morte ao canalha!’”
No entanto, a coisa muda inteiramente de figura quando o caso é Fausto Wolff. “Mas claro”, insistirá a malta como um coro grego de língua presa. “O Fausto? O Fausto tem passado! O Fausto é uma referência moral, rapaz! O Fausto, ha! Olha aí, o cara falando de um sujeito como Fausto Wolff como se ele pudesse cometer um crime! Conta outra, bicho.”
Aí eu, que sou dado a um diálogo, como vocês sabem, digo de volta: “Então vamos absolver o FHC, gente. O FHC tem passado, ués! Cometeu um errozinho de nada na presidência, que é que há! Chhh! O FHC... Mó íntegro! Quê? Comprar deputado pra aprovar o quê? Ahn? Reeleição? Como? Não tô ouvindo. Alô?”
Curioso é o momento em que isso acontece, porque também em defesa de Renan Calheiros se alega que é preciso esperar provas, também o PT faz esse malabarismo retórico, contorcionismo moral, para defender o indefensável, o que está patente aos olhos de qualquer pessoa medianamente dotada de neurônios e o que, se o partido estivesse na oposição, seria o primeiro a condenar.
Porém, algo cansado, me calo, e deixo o turbilhão passar, carregando suas faixas de desagravo e exigindo dos outros paciência, ponderação, justiça às avessas, enquanto penso comigo: “Em que esse povo difere de qualquer deputado do Democratas ou do PP?”
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(AMANHÃ, ATÉ O MEIO-DIA, MAIS OU MENOS, DOU O PROVÁVEL DESFECHO DA EXAUSTIVA E DEPRIMENTE NOVELA EM QUE ESTÁ SE TRANSFORMANDO ESSA HISTÓRIA. TOMARA QUE COM FINAL FELIZ. NO MAIS, GOSTARIA DE PEDIR ENCARECIDAMENTE AOS LEITORES QUE NÃO USEM O ESPAÇO DOS COMENTÁRIOS PARA XINGAR O FAUSTO. O QUE QUERO É TÃO-SOMENTE O QUE ME É DE DIREITO E, NÃO, DAR VOZ A ACHINCALHAMENTOS DE QUALQUER ORDEM. POR FAVOR.)

14 comentários:
Só faltou a venda nos olhos da deusa para melhor ilustrar o texto. Imparcialidade é necessária nesses casos, não importa quem o fez, mas o fez, então há de existir justiça. Plágio é plágio, roubo é roubo, crime é crime. Não é um passado ou um RG que vá mudar o fato e impedir que a justiça seja feita. Pelo menos é o que penso.
Abraço,
Carlos
Marconi. Nada a acrescentar em texto tão correto. Aguardo ansioso por um desfecho feliz, primeiro porque gosto do colunista Fausto e sobre o que escreve no JB, segundo porque no decorrer dos poucos meses que tenho como "blogueiro" aprendi a lhe respeitar e admirar seu modo virtuoso de elaborar uma boa literatura.
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Erro todos cometemos (uns mais, outros menos). É claro que quando é sobre alguém que se admira justamente pelo discurso contrário ao que se está expondo, dói mais e nos deixa atônitos (porra, se o Fausto faz isso, então fodeu...). E eu estou. Se ele publicar a "correção", dando a cara a tapa, já é um começo (não o redime, mas pelos menos algo de bom há no gesto). Espero que amanhã, com o JB em mãos, eu possa ler a coluna com um pouco de dor, mas resignado.
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Desejo tudo de bom procê, Marconi. Sua trajetória é luminosa e merece ser respeitada.
Continue criando as coisas maravilhosas que leio sempre e faça estardalhaço com o livro sair.
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Abraço forte!
Olá, Marconi. Gosto muito dos seus textos e dos do Fausto também. O tipo de humor daquele conto é seu, estranhei o estilo ao ler no JB. O Fausto às vezes (muitas) recicla material dele próprio. Não descarto a hipótese da confusão, mas o mínimo que se espera é um pedido de desculpas, além do reconhecimento da autoria. Vamos aguardar o desfecho... Abraços
Meti a mão no vespeiro, lá na Toca.
Gostava de receber essas correntes de e-mail com textos seus, à minha caixa só chega porcaria.
Um abraço solidário.
Marconi, publiquei lá no blog só para iniciados de qualquer forma um post falando sobre o assunto
Caro Marconi,
Antes de tudo,agradeço suas recomendações àquele velhinho barbudo de camisolão que dizem que existe pela minha pessoa. Segundo,seu post refletiu bem o que aconteceu comigo: tive vários amigos que me condenaram por que eu denunciei a vc o plágio do Fausto Wollf. Um deles disse que era uma falta de respeito com ele!Enfim, é o preço que se paga por tentar ser correto.
Belo texto. Lúcido e inteligente, como tudo o que você escreve.
Acho que este negócio de lado na politica nacional virou lenda,MARCONI.
Esquerda,direota,centro...estão todos com o rabo preso e o picareta do Renan ,sabendo disto,faz lembrar aos nobres congressistas que podridão por podridão,a lama atinge todos.
E se não lembrarem por bem,vale uma chatagenzinha...
Quem vai atirar a primeira pedra??
Abraços!
é tudo igual memso: o povo! Dom Casmurro pode até ter errado quanto a Capitu, mas não errou na frase. Falou bem.
Marconi, descansa agora que tu precisa.
Vou lá ler o texto de pedido de desculpas do tal Wolff. Mas já vou adiantando o que acho: e é só pedir desculpas? Fica assim? Normal? Em alguns casos "me perdoe" não resolve, não é não?
Marconi, postei mais um texto sobre esta pendenga. Esperemos. Esta do Fausto não convenceu.
Direita e esquerda são formadas por lesmas. Um bando de idiotas distorcendo a realidade. Esquedistas são analfabetos, direitistas são caras-de-pau. Em ambos os casos, não valem nem a sombra que projetam. Lesmas vagabundas. Parabéns pelo blog.
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