02 outubro, 2007

EU ESCREVO, TU COPIAS, ELE PUBLICA (4)


Esperava vir aqui para trazer uma notícia boa. Infelizmente, não é o caso. Antes que conte dos novos desdobramentos do já mundialmente famoso caso Marconi x JB, no entanto, uma explicação a alguns leitores.

Assim que soube do plágio, através de Carlos Alberto Saraiva (que Deus, em existindo, perdoe-lhe o fato de ler o meu blog), entrei em contato com um amigo em comum para que falasse com Fausto Wolff, de maneira a demonstrar a ele minha insatisfação.

Através de e-mail, ele me fez ver como era difícil a comunicação com o FW e que, sim, episódio semelhante já havia acontecido com o Fausto antes. Alertado por ele, o escritor havia se retratado, na semana seguinte, em sua coluna, mesmo sem lhe ter respondido a comunicação.

Ora, uma semana hoje em dia, mesmo considerando que o FW corrigiria o erro, é muito tempo. Nesse período, alguém mais desatento que entrasse no blog, tendo lido a crônica de domingo do JB, que pensaria? Que eu, um obscuro escritor, plagiei Fausto Wolff, monstro sagrado do jornalismo e da literatura nacionais. Pior: reuni as crônicas numa coletânea (por isso a registrei na Biblioteca Nacional) que está nas mãos de uma agente literária, com vistas a lançar um livro. Imaginem agora um editor lendo a crônica e supondo que sou um plagiador.

Apesar de toda a admiração que nutria por FW — cujo “À mão esquerda” considero dos maiores romances brasileiros, cujos textos de humor muito me inspiraram, cujo comportamento ético sempre me norteou — não podia ficar calado. Esperava uma resposta, uma explicação, uma simples mensagem SMS de Fausto Wolff. Não veio (isso apesar do Fausto ter recebido pelo menos três e-mails dando conta do caso, através de três pessoas conhecidas dele). Tive que agir.

Ontem, um outro amigo de Fausto me escreveu preocupado. Disse que o Fausto está doente, sob medicação pesada, sem fumar nem beber, o que pode ter ocasionado o plágio (coisa, aliás, já sugerida por duas outras pessoas do meu contato). Disse a ele não duvidar de que isso fosse verdade (e não estava sendo irônico como de costume, leitor mordaz), mas que nem por isso poderia ficar no prejuízo. E que, a mim, me bastaria uma linha de Fausto Wolff, dizendo: “Marconi, errei, mas vou te dar os créditos”. Isso e o caso estaria encerrado.

Para encurtar: o escritor ainda não se dignou falar comigo diretamente. Apesar disso, após lhe ligar, o sujeito me informou que, no exato momento em que atendeu o telefone, aquele estava tentando enviar para o jornal um artigo se retratando. Esperava ler o texto hoje, por esse motivo falei em “notícia boa” no princípio. Mas, como há pouco me explicaram, o "Caderno B" fecha cedo, a crônica deve sair amanhã.

A que isso nos leva? A esperar. Esperemos 24 horas a ver se a retratação sai. Amanhã, portanto, cenas do próximo capítulo. Manterei vocês informados.
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Aproveito para agradecer a mais nove bravos (se alguém escreveu post sobre o assunto e não listei até agora, por favor, pronuncie-se):
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(Obs.1: Retirei os nomes de terceiros citados anteriormente no post, pois um deles se sentiu ofendido. Obs.2: Os problemas de saúde e de abstinência que FW vem enfrentando não são informação exlusiva de ninguém, pois o próprio escritor já tratou do assunto em crônica. Obs.3: Aqui, com a elegância costumeira, Milton Ribeiro escreve o artigo que eu gostaria de ter escrito.)

30 comentários:

Serbão disse...

Marconi, espero que dê certo.
Mas estes remédios aí deviam ser investigados pela FDA, né não? fazem rabinos furtar gravatas, escritores consagrados copiarem textos de blogs...

Gustavo Chaves disse...

Que bom, que tudo se resolva então!

Jens disse...

Esperemos e oremos para que tudo termine bem. Nenhum dos dois merece o que está acontecendo. Como ambos são iconoclastas, por assim dizer,
em relação as coisas do Céu, suspeito que o affair tenha o dedo do Criador.
Eu bem que avisei.
Um abraço.

Roberval disse...

Enquanto isso na escolinha do JB:

- Fausto, enquanto o Marconi escreve, conjugue verbo plagiar, por favor.
- Sim senhor professor!

Eu plagio
Tu plagias
Ele plagia
Nós plagiamos
Vós plagiais
Eles plagiam

- Muito bom! Muito bom! Menino sagaz. Sugiro que troque seu nome para Infausto.

Jean Scharlau disse...

Ei, Marconi! Que é isso, rapaz?! Montaste um show em cima de um mal entendido? Não é assim que se faz.

Marconi Leal disse...

Mal-entendido? Mal-entendido no cu dos outros é refresco.

Artur disse...

Não houve mal-entendido. Houve plágio. E, dificilmente, esse ato tem como causa algum distúrbio mental causado por alguma doença. Seria um caso interessante na literatura médico-psiquiatra alguma enfermidade que faça a pessoa ter uma compulsão a plagiar. Além do mais, foi uma estória inteira que foi copiada -- se fosse um parágrafo, algumas frases, poder-se-ia alegar distração, bobeira, alguma coisa do gênero. As pequenas mudanças no texto atestam a premeditação do ato.

Ainda acho o plágio um ato absolutamente consciente que, muitas vezes, exige um esforço cognitivo maior do que o da criação. Muitos plágios são verdadeiras obras-de-arte. Pena que este tenha sido... vulgar.

Franciel disse...

Marconi,
além de tudo, você é um desinformado.
Ao invés de ficar escrevendo estas cronicazinhas, você deveria se dedicar ao estudo dos fundamentos da farmacologia moderna.
Assim, este mal-estendido todo seria evitado.
Espero que, a partir de agora, você saiba, de uma vez por todas, que há na praça um santo remédio chamado Plagianol.
Como? Você ainda não conhece o Plagianol?

Assim não dá.

Milton Ribeiro disse...

Publiquei uma coisinha lá no meu blog. Falei com um amigo do FW.

Mas esse Jean Scharlau é um equivocado. Mal-entendido?

Jean, não é assim que se faz.

Moacy Cirne disse...

Oi, queira aceitar o meu abraço de solidariedade. Ando numa correira danada e por isso não pude atualizar o Balaio com esse poblema que o atingiu. Verei o que fazer, brevemente. Um abraço.

GUGA ALAYON disse...

Jean, você é um Mau-entendido.

leila disse...

Plagios precisam ser denunciados, sempre. Especialmente se, de um lado, voce tem um escritor consagrado se aproveitando do trabalho de uma pessoa que esta' batalhando para publicar pela primeira vez. E' uma tremenda injustica.

Mário Marinato disse...

Marconi, um anônimo deixou um comentário no Sarcófago dizendo que você está é se aproveitando da situação. Dá só uma olhada.

Thiago de Góes disse...

Marconi,
Ao menos, o caso serviu para que eu tomasse conhecimento do seu excelente blog. Já assinei o feed. Parabéns pela qualidade de seus textos.

R.C disse...

Marconi, estou pensando - e devo - postar um texto com as minhas impressoes. Acho que voce nao deve achar ruim, mas saiba que nao saio em "sua" defesa, particularmente.

Isso, sabendo que Wolff errou e eu nao sendo um fa seu incondicional - bastante critico dele, alias. Isso, sabendo que voce e um puta escritor (nao confunda com escritor puta), e sabendo que voce, nesse caso, tem toda a razao.

Lendo essa ultima postagem, no entanto, devo dizer com minha arrogancia afobada costumeira, que acho que deveria ter explicado isso antes, para evitar coisas como as do mencionado anonimo, em um dos comentarios acima, dizendo que voce tenta se aproveitar.

Agora, digamos que voce realmente esteja tentando se aproveitar... O texto que posto te serviria. Mas que conste aqui, nao creio que seja esse o caso, e sei que muita "gente de bem" esta chocada mesmo. So espero que ninguem precise sair crucificado.

Espero mesmo que nada mais de ruim saia disso pra ninguem,

abraxao

RF

Marconi Leal disse...

Meu caro, R.C, porque hoje estou bastante didático e acho o raciocínio de que poderia estar tentando me aproveitar interessantíssimo, para não dizer cartesiano, vou fazer uma analogia. O sujeito tá andando na rua, tem a carteira batida, mas não se dá conta disso. Quando chega em casa, descobre que foi roubado. Imediatamente corre pra polícia. O delegado passa uma mensagem de rádio para todas as delegacias do país informando o ocorrido, de maneira a evitar que o ladrão se utilize do RG que estava dentro da carteira. Um funcionário de uma das delegacias do país, digamos, no Acre, ao ouvir todos aqueles comunicados, vindos dos mais variados lugares, se vira pra um colega que está ao lado dele e comenta:

- Esse elemento que teve a carteira roubada tá querendo se promover...

É. Faz sentido.

João Bosco Filho disse...

Pois é, essa tese do querer se aproveitar é a completa inversao de valores... Pena que ainda tenha gente que defenda isso. EStamos fodidos mesmo...

Artur disse...

Na verdade, acredito que Marconi esteja se arriscando. Creio que a mass média utiliza-se muito pouco da autocrítica. Ela é bem corporativa e sabe se defender -- sabe é atacar. E FW é mass média, tendo uma retaguarda de poder. Espero que não a utilize. Fui no blog de FW e já vejo reações típicas, seja amenizando o imbróglio, seja já partindo para o ataque. Há uma desculpa no ar: FW recebeu a estória anonimamente por e-mail. Ora, por que não pesquisar a autoria no google ou assumir o fato na coluna ("estória inspirada de um e-mail anônimo..." -- na verdade, não foi "inspirada" e sim "copiada"). Há uma certa hipocrisia no ar. Não estamos na Idade Média. A autoria existe, uma bela conquista "burguesa", e é o seu desrespeito que está em questão. Marconi, tome cuidado.

João Bosco Filho disse...

Tá correto Artur... tava pensando nisso agorinha mesmo, após ler o blog do cidadao...

MCS disse...

http://divagacoeseideias.blogspot.com/2007/10/plgio-no-jb.html

Escrevi sobre também.

Força na peruca.

Abraços

amor disse...

Marconi, não conhecia seu blog e fiquei sabendo através do http://sociedadebbbb.blogspot.com/
Fiquei indignado com o caso. Eu já havia lido o texto do Fausto e navegando de link em link, cheguei ao blog do Kane e de lá para cá. Eu fiquei indignada com a cara-de-pau do consagrado escritor. Se me falassem, eu não acreditaria, mas depois de tudo que você fez, o cara não se pronunciou, só pode estar de gozação.
Sorte pra ti!

Anita disse...

Marconi,

conta mesmo. Mas conta "tudinho," viu? Porque está me parecendo que a curiosidade (pelo menos a minha) deve ser um vício tão perverso quanto a atitude do plagiador. Rs.

Bjs.

Anita

Anita disse...

Marconi,

Ah, botei lá no blógue também uma pequena nota sobre o caso desse plágio em forma, mais ou menos, de homenagem.

Again and Again disse...

Marconi, não sabia que isso se passava com vc. Estou perplexa com a cara de pau dessa gente, não que rapinagem intelectual seja novidade no meio jornalístico, mas é sabido que seu blog é bem frequentado, não somos idiotas! Vamos sim correr atrás, mantenha-nos informados, estou solidária mandando mails prá lamentar a atitude ordinária que está virando corriqueira entre pessoas ditas respeitáveis. Não se justifica isso com doença, pretexto ridículo.

bjs
Ophélia

Carlos (a.k.a. Dogmático) disse...

Caras, para mim está claro como este maldito teto branco iluminado por essas luzes fluorescentes desse escritório gélido. O tal do Fausto, plágiou (roubou um texto sem permissão), plágio é plágio e vice-versa. Doente ou não, plágiou! Se estava doente pedisse licensa médica, ou sei lá, as pessoas fazem isso. Se eu estou doente, não roubo um layout e falo que é meu, simpelsmente digo que estou doente e não farei, oras, sou humano. O Fausto plagiou, isso não resta dúvidas, resta? Se fosse coisa minha eu estaria muitíssimo revoltado por alguém sem mais nem menos me plagiar. E por esse motivo acho que tanta gente vem se solidarizando com a causa. Nada mais de direito e justo do que protestar e exigir no mínimo uma retratação. Pombas, chega disso! "Tô doente e copiei sem querer" Bah, é só o que faltava. Se vira moda essa história, imagina? Daqui a pouco surge um "Fausto, me chicoteia!" e outras variáveis. Ou os políticos começam a falar que não sabem de nada. Anarquia total! Pôxa, o cara errou, o Marconi está no direito de reclamar. Não entendi por que tem gente criticando, e sinceramente defender um plagiador pega mal, apenas minha opinião. E vai pegar mal pro JB se eles defenderem o cara.

Como diria Van Damme "Retroceder nunca, render-se jamais!". Estou contigo!

Bom, desculpe pelo texto longo, mas fiquei meio indignado com a defesa de um péssimo exemplo de profissional,
Carlos

R.C disse...

Voce tem toda a razao, Marconi, concordo plenamente. O que voce quer, me parece bem claro: Limpar o SEU nome, nao sujar o dele.

Rafael Amaral disse...

Trackback para você. Espero que tudo se resolva.

Abraços!

Fernanda disse...

r.c
seu curto comentário carrega um erro, ou melhor, dois.
1) Marconi não quer limpar seu nome por um motivo muito simples: não se limpa o que já está limpo.
2) Marconi não quer sujar o nome de ninguém por um motivo muito simples: não se suja o que já está sujo.
Milhares de pessoas adoecem todos os dias, nem por isso saem por aí fazendo merda. Justificar o mal feito alegando doença me lembra os boyzinhos da Barra que bateram na moça pensando que era puta.

Lontra disse...

Me agradaria saber que doença é essa que retira totalmente a vergonha-na-cara das pessoas. Espero nunca pegá-la (ao menos não em tão grave nível).

Já ouvi falar que abstinência causa alucinações, mas o cara ler o seu texto e copiar descaradamente pensando ser apenas uma inspiração do além é difícil de engolir assim, a seco.

Que será que o Estadão vai dizer do assunto?

Jeriston disse...

Marconi,

Essa história tá parecendo até literatura de cordel: "A peleja do diabo com o dono do céu". Porém, desta vez, o dono do céu saiu chamuscado.
Abraço,
Continue falando(bem/mal)de Deus e do Diabo.