05 outubro, 2007

ASSALTO REVISITADO (PLÁGIO AUTORIZADO PELO AUTOR)


(Os comentários ao post foram desativados para evitar mais bafafá em cima de assunto já morto. Este texto só vai aqui por absoluta necessidade de prestar minha solidariedade a Guga Alayon, amigo de todas as horas, pessoa de todas as honras. A ele, reitero: estamos aí para o que der e vier.)

— Alô? Quem tá falando?
— É um amigo do escritor.
— Desculpe, não queria falar com o autor dos textos. Tem algum outro jornalista aí?
— Não, os jornalistas estão todos como reféns.
— Eu entendo. Trabalham quatorze horas por dia, ganham um salário ridículo, vivem levando esporro, mas não denunciam o plágio pra não se indispor com o autor ou com um superior, né? Vida difícil. Mas será que eu não poderia dar uma palavrinha com um deles?
— Impossível. Eles tão amordaçados.
— Foi o que pensei. Gestão moderna, né? Se fizerem qualquer crítica, vão pro olho da rua. Não haverá, então, algum chefe por aí?
— Claro que não, meu amigo. Quanta ignorância! Não tá sabendo? Nesse exato momento, o redator-chefe tá recebendo um prêmio por uma matéria que fez sobre ética, oferecido pela OAB.
— Bom... Sabe o que que é? Eu tenho um texto...
— Tamo levando tudo, ô bacana.
— Não, isso eu já sabia. Eu sou um escritor obscuro. O que eu queria mesmo era uma reparação.
— Companheiro, eu sou um reles amigo do escritor. Meu negócio é pequeno. Um e-mail copiado aqui, um pedaço de artigo subtraído ali, no máximo três ou quatro páginas de livro xerocadas. Pra receber reparação, é melhor você se mudar pros Estados Unidos.
— Sei, sei. O senhor tá na informalidade, né? Também, com o preço que tão cobrando pra ser um plagiador com coluna em jornal de grande circulação hoje em dia... Mas, será que não podia fazer um favor pra mim? É que não recebi nenhum tipo de satisfação de vocês e queria saber se ainda esse ano eu consigo.
— Cê tá pensando que eu tô de brincadeira? Isso é um assalto!
— Longe de mim. Que é um assalto, eu sei perfeitamente. Mas queria saber o quanto isso afetou a consciência moral do autor ou do dono do jornal. Um milímetro, dois milímetros?
— Eu acho que cê não tá entendendo, meu irmão. Sou jornalista. Trabalho na base da intimidação e da chantagem, saca?
— Ah, já tava esperando. Vai me acusar de querer me aproveitar da situação, né?
— Não... eu... Peraí, cara, que hoje eu tô bonzinho e vou quebrar o teu galho. (um minuto depois) Alô? Olha, tem um sujeito aqui dizendo que a consciência moral dos jornalistas não foi afetada porra nenhuma. Nem a ética.
— Puxa, que incrível!
— Por quê? Você achava que tinha sido?
— Não, achava que não tinha mesmo. Tô impressionado é que, pela primeira vez na vida, consegui obter a atenção de uma empresa jornalística, em menos de meia hora, sem precisar ter matado, esfaqueado ou seqüestrado ninguém.
— Quer saber, figura? Fui com a tua cara. Dei umas bordoadas no redator do caderno de cultura e ele falou que vai te dar os créditos.
— Não acredito! E eu não vou ter que pedir desculpas por ter tido meu texto plagiado?
— Não. Tá acertado.
— Muito obrigado, meu senhor. Nunca fui tratado dessa...
— Ih, sujou! (tiros, gritos) O exército!... Invadiu a redação! Socorro! Tá havendo um golpe militar!
— Golpe militar? Como? Alô? Alô?
(sinal de ocupado)
— Droga! Maldito estado de sítio. Sempre intervindo nas relações entre homens de bem!

(ANTES DE COPIAR E COLAR ESTE TEXTO ONDE QUER QUE SEJA, PARE, PENSE DUAS VEZES, PULE UMA CASA, PENSE MAIS TRÊS VEZES, REBOBINE A FITA E PENSE DE NOVO. OS TEXTOS DESTE BLOG ESTÃO DEVIDAMENTE REGISTRADOS NA BIBLIOTECA NACIONAL. PARECE INCRÍVEL E TALVEZ JÁ HAJA NO BRASIL UM MOVIMENTO CONTRA ESSA ARBITRARIEDADE, MAS POR ENQUANTO PLÁGIO AINDA É CRIME PREVISTO NO CÓDIGO PENAL. É VERDADE QUE ESTRANHOS FENÔMENOS DE CRÔNICAS APARECENDO PRONTAS EM COMPUTADORES NOS MAIS DIFERENTES RECANTOS DO PAÍS VÊM SENDO RELATADOS. MAS, AVISO AOS CRENTES: CUIDADO, ESTE BLOG É ATEU. EM MATÉRIA DE RELIGIÃO, SÓ ACREDITA MESMO EM ADVOGADOS, JUÍZES, NA POLÍCIA E NO SISTEMA PENITENCIÁRIO.)