13 setembro, 2007

O FRUSTRADO RETORNO DE JESUS À TERRA (7)


— Rabi! Sou eu, Abraão!
— Pai Abraão? — disse o Senhor, pondo-se de pé. — Que foi que houve?
— Bem, primeiro o Senhor revelou sua face para mim e disse: “Abrão, vai até Canaã, pois é a terra que destinei a ti e tua...”
— Não, digo, agora. Por que o senhor tava correndo daquele jeito?
— Ah, você sabe como é a Sara... Toda semana eu tenho esse jogo de cartas, mas não adianta: sempre ela acha que eu vou atrás de Agar.
— O Terrível? Ele morreu? — perguntou o Nazareno, que ainda não havia se recuperado da pancada na cabeça.
— Não, não, a mãe de meu filho Ismael. Vê-se logo que Moisés não teve uma mulher como a minha. Caso contrário, teria determinado que as mulheres ficavam impuras na semana pré-menstrual e não quando menstruam. Vou te contar: sortudo foi Lot, Rabi! E você, meu menino, que faz por essas bandas?
— Ah, pai Abraão, é uma história longa como o Pentateuco. Eu quero voltar à Terra, sabe?
— Já sei, prometeram te dar a propriedade de um lugar que mana leite e mel, não foi? Também caí nessa. Vai por mim: aquela terra não presta, Jesus. Você vai gastar um dinheirão com irrigação e...
— Não, pai Abraão, eu quero ir ao Brasil...
— Brasil? Piorou! Olha, aquilo lá parecia ser até um lugar interessante: negras, mulatas, cafuzas... Mas desde 1888 a coisa degringolou bastante. Imagine que nem se pode mais ter um escavo! Me diga: por que é que você quer ir à América do Sul? Comerciar café?
— Nada disso, eu quero ajudar meus irmãos, pai Abraão.
— Seus irmãos? Aaaah, então quer dizer que Deus também andou aprontando das suas? Depois sou eu que levo a fama!
— Não, pai. Meus irmãos, os homens, a raça humana.
— Raça humana! Chhh! Que é que você tem contra os macacos ou o cavalo, por exemplo, seres muito mais inteligentes e simpáticos?
— Eu dei meu sangue por aquela gente, pai Abraão.
— Eu sei. Não via tamanho desperdício de sangue desde que teu pai sobrevoou o Egito.

Enquanto falava, Abraão seguia seu caminho. Andaram um longo tempo, até que atingiram uma praça com mesas e bancos de pedra, bastante arborizada, na orla de um barranco de areia que subia da praia.

— Olha aí, chegamos — disse o patriarca.

Assim que acabou de falar, soprou um vento do Ocidente e o Filho do homem viu o mar se abrir de parte a parte.

— Na hora! Impressionante. Ele nunca atrasa.

Dentro em pouco, surgia Moisés. (CONTINUA)
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10 comentários:

Moacy Cirne disse...

Cada vez melhor, cada vez mais interessante. E cada vez mais biblicamente engraçado. Um abraço.

Gustavo Chaves disse...

isso tah ficando interessante, continue...
abraços

Marcelo disse...

Ai Jisus coitadinho de Jésus!

abs

Artur disse...

Essa do "Agar, o Terrível" foi de lascar (hehe...)!

Serbão disse...

eu gostei do "história mais longa que o Pentateuco"!!!!

Jens disse...

Herege! Este troço não vai acabar bem. Tô avisando, tô avisando...

Anita disse...

afinal, ele volta?

bjs.

Milton Ribeiro disse...

Off-topic!

Vai lá hoje e reclama, vai, reclama! Teu nome está bem no começo do post!

Abraço.

Ane Brasil disse...

Rapá, eu quero só vê se a galera fica emputecida com todas essas livre adaptações e resolve encrencar contigo... de cara, já vejo uns 8 autores meio putos... E se eles vierem aqui, pessoalmente, te cobrar explicações? Ou, o que é pior, roialtís?
Cara, adorei o texto!
Sorte e saúde pra todos!

sandra camurça disse...

Seu Moço, não estou acompanhando a história. De todo modo, passei pra te dar um beijão.

Beijão
e bom fim de semana pra ti.