21 agosto, 2007

REGRA NÚMERO UM


— Você é como a lua, amor.
— Gorda?
— Não. Clara e...
— Fria.
— Não, não.
— Você me acha pálida?
— Não!
— Então, acha que eu uso muito pó, só pode.
— Nada disso!
— Sou frívola, sem gravidade?
— Não, não, mas é claro que não.
— Minha pele é esburacada?
— Esquece. Jamais deveria ter te comparado à lua, foi uma indelicadeza minha. Você mais se parece com o sol.
— Cheeeia de estrias...
— Nããão! Tem luz própria e...
— Vivo dando voltas por aí?
— De jeito nenhum! Esquece o sol. Bobagem minha. Você... você é um cometa.
— Sabia! É a minha bunda, né? Muito grande.
— Bun... Não é nada disso, querida. Você é um cometa, porque...
— Posso causar grandes estragos, eu sei.
— Que é isso! O cometa é um astro de muita beleza, considerável grandeza e...
— Você nunca tinha reclamado de minha altura antes...
— Como? Eu... nunc... Não, não, pelo amor de Deus, não se trata disso! Me desculpa, não fica assim, bobagem minha. Não vou te comparar a nada mais no céu, tudo bem?
— Por quê? Você acha que eu não mereço?
— Claro que merece, mas é que... Tá, já sei. Você é como uma chuva refrescante na primavera, que tal?
— Como água, portanto: incolor, insípida e inodora.
— Não! Refrescante e...
— Passageira, fugaz, um evento sem maior importância.
— Meu amor, não é nada disso! Como poderia dizer que você é inodora?
— Tinha certeza que você ia fazer isso, mais cedo ou mais tarde.
— Isso? Isso o quê?
— Passar na minha cara, com ironia, que eu transpiro quando fico nervosa.
— Quê? Ora, só tava tentando...
— Dizer que não me ama mais. Suspeitava que todo esse preâmbulo era pra isso. Pois muito bem, saiba que...
— Não é verdade! Meu bem, minha querida, eu te amo! Te amo muito! Te amo mais do que você mesma se ama, se isso é possível!
— Então não tenho auto-estima, agora? Ou, pelo contrário, você acha que eu sou uma ególatra?
— Chega! Pára! Esquece, esquece tudo o que eu disse. E me perdoa. Não fiz por querer, mas sei que a culpa foi minha. Violei a regra número um de nosso casamento.
— Carinho, respeito mútuo e atenção?
— Não, evitar analogias quando você tá de TPM.

10 comentários:

Halem Souza (Quelemém) disse...

Ai, ai, ai... Já vejo as manifestações indignadas das representantes do outro sexo a reclamar... Mas, Marconi, essa crise de TPM narrada até que está light: a personagem ainda consegue manter a discussão pelo menos com o "fino" do vocabulário. Um abraço.

P. S. Por anda Jens?

Yvonne disse...

Êta mulher complicada, rsrsrs.
Beijocas

Franciel disse...

Marconi,
diante de um calundu de uma nega baiana, TPM é nada

Franciel disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Franciel disse...

Marconi,
diante de um calundu de uma nega baiana, TPM é nada.

Franciel disse...

Só de pensar no tema, fiquei tão nervoso que repeti a mensagem.

Andréa Augusto - angelblue83 disse...

rsss, excelente!!!!

Gustavo Chaves disse...

Good, good, mas nada como a devolição de ACM

Acantha disse...

Perfeito! Como sempre..

Ane Brasil disse...

A única frase segura diante de uma mulher com TPM é:
"querida, aceita um chocolate?"
hehehehe!
sorte e saúde pra todos - sobretudo aso bravos e valorosos maridos que enfrentam a tpm de suas amadas sem recorrer a golpes de karatê ou armas de fogo!