26 março, 2007

REPÓRTER DE CAMPO


— Muito bem, Roberto, estamos aqui com Edicleyson, o nome do jogo, que fez três gols nessa partida de hoje, inclusive um de bicicleta. E aí, Edicleyson, tava inspirado, hein? E então, você credita essa vitória ao individualismo de influência protestante, ou seja, à crença nas possibilidades do sujeito em sua luta pela superação dos limites individuais, ou tem uma abordagem mais marxista, partindo do pressuposto de que o meio atuou materialmente para a sua performance?
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(assoando o nariz) Bom, Carlos, cê sabe que o futebol é uma caixinha de surpresa, né? E o professor pediu que nós caísse mais pra esquerda, mas não tanto que atingisse o extremismo maoísta e nem tão pouco que chegasse ao posicionamento social-democrata, e... De modos que a gente conseguimos encontrar os espaço vazio e... concruímos. E... Não tô acostumado a jogar por ali, e... Mas os fim justifica os meio, como diria Maquiavel no belo “O Príncipe”.
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— Não deve ter sido fácil pra você encontrar os espaços vazios, não? Muitos acreditam que o vazio nem existe, é apenas uma categoria metafísica...
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(cuspindo de lado) Com certeza, Carlos. Tive uma certa dificuldade, no princípio, devido que o nosso time é muito influenciado pelo platonismo tardio, né? Mas o professor repassou com nós as teoria crítica do racionalismo, e... E a gente vimos um pouco de Swift, e... Voltaire, e, com um trabaio eficaz, conseguimo anular a tática sofista do adversaro.
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— Você fez um golaço. Eu tenho 40 anos de futebol e nunca vi uma coisa daquela. Como é que foi isso? Você que sempre teve uma atitude tão conservadora, tá partindo agora prum futebol mais de vanguarda? Você diria que podemos rotular o seu atual momento como de desconstrução, pra usar um termo de Derrida?
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(coçando o saco) Não, não. Eu não acredito em vanguarda, né, Carlos? E acredito no trabaio séro e bem-feito. Você veje o Machado de Assis, por exemplo, ou mesmo os russo, Dostoievski e tal. Veje que ali não há uma quebra tão significativa na forma quanto no conteúdo. O importante é os três ponto. E é nisso que eu acredito e é isso que o professor pede pra nós fazer dentro de campo, e... E agora é partir pro próximo jogo e buscar os três ponto, e...
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— Pra encerrar, Edi, o time tava numa espécie de pessimismo schopenhaueriano há apenas duas rodadas, você acredita que agora a tendência é haver uma evolução constante nos próximos jogos?
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(cheirando o dedo que passou no sovaco) Com certeza. Mas, é como o professor diz: o futuro a Deus pertence, né? E evolução é um termo muito gasto, que cheira a determinismo darwinista, né, Carlos? Bom, a hermenêutica nunca deu título a ninguém, e... E eu acredito no trabaio, acho que o time tá coeso e é aguardar os resultado, colher os fruto do trabaio, e...
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— Muito obrigado, Edicleyson. Nós conversamos com Edicleyson, o craque da partida entre o XXXIX de Pindamonhangaba e o XXVII de Jaú. Fique agora com o compacto dos melhores momentos da última apresentação do Bolshoi, com comentários do Casagrande. Boa noite.

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