07 agosto, 2007

BEM-SUCEDIDA VISITA A UM CASAL DE AMIGOS VIRTUAIS (1)


Algumas criaturas são sociáveis ao extremo, como o Duque de Osnabrück, cuja biografia registra ter feito sexo com um conviva masculino apenas para ser delicado com o hóspede. Como este se tornasse comensal habitual, o Duque acabou se casando com ele, episódio que deu origem ao célebre mote popular: “A gente quer ser gentil e acaba se f...”

Outras, por sua vez, são tão introvertidas quanto Gandhi, que viu o próprio pinto pela primeira vez sem querer, no espelho do banheiro do Palácio de Buckingham. Relatos apócrifos dão conta de ter o indiano quebrado a segunda vértebra na curiosa tentativa de soprar a mêntula. Em razão do que, teria a rainha decidido tirar as tropas da Ásia, cunhando a expressão que entrou para a história: “A guerra está perdida. Não temos mais autoridade moral sobre um povo capaz de bafejar o próprio membro.”

Há pessoas, no entanto, mais ponderadas, cuja capacidade de convívio social mantém-se num meio-termo. Num meio-termo entre o comportamento de um chimpanzé com cólicas e o de um rinoceronte com esclerose. É o meu caso.

Certamente por ignorar essa instigante faceta da minha personalidade, um casal de amigos virtuais nos convidou, a mim e a minha mulher, para um jantar em sua casa no último sábado, de maneira a nos conhecermos pessoalmente.
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— Vê se tu te comporta dessa vez, hein? E por favor, não diga a frase mágica! — alertou-me minha amável consorte pouco antes de sairmos para o encontro.
— Eu, me comportar? — desdenhei, superior. —E desde quando eu não me comporto na presença de estranhos?
— Quer a lista por ordem alfabética ou cronológica?
— Tudo bem. Admito que aqui e ali, uma ou duas vezes, me excedi no álcool. Mas nada que tenha provocado grandes problemas.
— Ah, você acha que arrancar o lustre da casa da Lucinha e sair pela sala rodando ele sobre a cabeça e cantando Beto Barbosa é algo a que todos estão acostumados?
— Não foi Beto Barbosa, foi Marquinhos Moura. E a fiação tava meio velha, você mesma viu.
— Tava, claro, ninguém tinha tentado brincar de rodeio com o lustre antes. Isso pra não falar da vez que você pisou no bolo de aniversário da Maria Rita.
— Também, onde já se viu colocar o bolo na mesinha de centro, um lugar onde todo mundo sobe pra dar cambalhota?
— Vê se tu te comporta, pelo amor de Deus! E lembra que tu tomou aquele antialérgico. O remédio intensifica o efeito do álcool, Marconi.
— Mulher, pra que o nervosismo? Tá tudo sob controle.
— Ai!
— Que foi agora?
— Tu disse a frase mágica!

E assim seguimos, bravamente, ao nosso destino. Eu, seguro de ter um autocontole de causar inveja a um ninja que houvesse ingerido um litro de café. Ela, mais descrente que um existencialista escandinavo.
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(CONTINUA AMANHÃ)

6 comentários:

Anita disse...

okay...

Até amanhã, então.

adelaide amorim disse...

Incorrigível, fico esperando o segundo capítulo da hecatombe, quero dizer, da história :)

Jens disse...

Uêba, Marconi dando vexame! Vem coisa boa aí!

Crewdylenne Chup-Chup disse...

Tá, até amanhã...

Paulo Aguiar disse...

Autobiografia !!!

abraços

edu disse...

Eu também dei cambalhota!! E só tinha tomado suco. A Dona Patroa se preocupa demais...