27 julho, 2007

PEQUENOS INCIDENTES OCORRIDOS NA PALESTINA HÁ CERCA DE DOIS MIL ANOS (3)


— E-e-eu que-que-que-rrrria q-q-que o... o... se-se-senho-nho-nhor me cu-cu-cu...
— Cuspisse?
— Nã-nã-ã-ão.
— Saco. O quê?
— Q-q-que... o se-se-se-nho-nhor me cu-cu-cu...
— Cutucasse?
— Nã-nã-ã-ão.
— Haja paciência. Desembucha, então, vamos.
— Cu-cu-cu... Que-q-que... Cu-c... que...
— Putz! Peraí, peraí. Pronto. Pode falar agora.
— Eu queria que o senhor me curasse da gagueira, Senhor.

...................................

— Onde ela tá?
— Ela saiu, Senhor.
— Saiu?
— Uhm-hum.
— Mas ela não tava doente, com febre, à beira da morte?
— Tava. Quer dizer... Ela... melhorou.
— Melhorou assim, do nada?
— Uhm-hum.
— Pedro, Pedro, diz logo onde tá tua sogra, Pedro!

...................................

— Muito aguado.
— E agora?
— Uhmmm. Ainda um pouco aguado.
— Prove agora.
— Perfeito! Agora sim, excelente vinho.
— Ótimo. Satisfeita?
— Será que não dá pra transformar essas pedras em queijo pra acompanhar?
— Pô, mãe!

...................................

— Bom dia, dona Maria, eu trouxe essas notas...
— Fiiiiu! Que caro! Isso não é meu, não. Quem comprou essas coisas foi meu filho!...
— Óleo para a pele, véu e perfume feminino?
— Ahn-ran...
— Tudo bem. Ele está?
— Infelizmente morreu, faz quatro dias.
— Ué, mas eu ouvi dizer que ele ressuscitou!
— E o senhor acredita nessas coisas?

17 comentários:

Jens disse...

Sr. Marconi Leal,
eu não devia mas, como tenho um coração vagabundo, solitário e solidário que não sabe guardar rancor, vou alertá-lo: soube de fonte fidedigna que o Papa Bento 16 está profundamente agastado com esta série de historietas envolvendo a figura maior do Cristianismo. Em decorrência disto, Sua Santidade enviou um Comando Avançado da Ordem dos Cavaleiros Templários, direto das hostes do Vaticano, a fim de que fazer com que o senhor para com estas gracinhas blasfemas. Por bem ou por mal.
Também fui informado que o processo que visa excomungá-lo da Igreja Católica já se encontra em franco desenvolvimento.
O caminho que o senhor está trilhando não é para cavaleiro descuidados. Lembre-se da advertência bíblica: a vingança é minha, disse o Senhor.
Portanto, cuide-se.
***
Dê recomendações minhas à família. Não cometa excessos etílicos e sexuais. Tenha um bom final de semana.

Jens disse...

Correção: a fim de fazer com que o senhor pare com estas gracinhas blasfemas.
(Acabo de demitir o meu revisor. Não se pode mais confiar nos serviçais).

A Gata por um Fio disse...

hua...hua...adorei...e nada sobre Moisés?

Sandrinha disse...

rsrsrsrsr adorei!

Marcelo F. Carvalho disse...

Muito bom...hehehehe...
Era Jesus um X-man?

Moacy Cirne disse...

Meu caro: Que o papa Bento 16 se dane! Sua Bíblia Revisitada devia ser lida e relida por todos, inclusive pelos pastores e obreiros (arghhh!) da Igreja Universal do Reino do Diabo. Um grande abraço.

Anônimo disse...

Ovídio

Se há um esforço inútil, embora inevitável, é o de contestar o relativismo. É inevitável porque objeções relativistas são fáceis de aprender, fáceis de repetir e acessíveis gratuitamente a qualquer bobão interessado em debater o que ignora. Não importa o que você diga, elas começarão a saltar por todo lado como sapinhos histéricos, e você não terá remédio senão sair caçando uma a uma ou admitir que teria sido melhor ficar quieto desde o início.
Não que a dificuldade de caçá-las seja notável. Superar o relativismo é a escola maternal da filosofia (ingressar nele é o berçário). O problema é que, sendo meras combinações automáticas de juízos, prescindindo de qualquer apreensão da realidade, elas têm uma facilidade enorme de reproduzir-se em formatos variados, diferentes só em aparência, sem a menor chance de o interlocutor fazer parar a proliferação mecânica de ranhetices mediante o apelo à percepção dos fatos. É como você discutir online com um programa de computador, sem nenhuma consciência humana para lhe responder do outro lado da linha.
Pior ainda: por serem imunes ao teste da realidade, as objeções relativistas não podem ser objetos de crença. Crer num juízo é crer na realidade do seu conteúdo. Abstraída a realidade, a mente opera num espaço separado onde pode haver apenas autopersuasão hipotética, como num teatro. Não crença efetiva. No mundo real, essas objeções só podem funcionar como atenuantes de crenças positivas, nunca tornar-se elas próprias crenças positivas. Nesse sentido, todo mundo é um pouco relativista quando revê suas idéias (ou as alheias) e as hierarquiza segundo o grau de certeza que parecem ter. Mas ninguém é relativista além desse ponto. Nenhum relativista acredita em relativismo, exceto de maneira experimental e provisória. Debater com ele só pode servir para treinamento ou diversão e para nada mais.
O corolário é incontornável: se ele insiste muito nas objeções, se as defende com o ardor de quem acreditasse nelas positivamente, está fingindo. Ele crê em alguma outra coisa, e usa as investidas relativistas como barreira de proteção para que sua própria crença não seja posta em exame. Todo ataque relativista muito enfático encobre um autoritarismo secreto que mantém o adversário ocupado na defensiva só para poder em seguida triunfar sem discussão. Reparem na presteza com que esse tipo de relativista, ao sair do exame das opiniões adversárias para a defesa das suas próprias, passa do discurso dubitativo às afirmações intolerantes que se ofendem até às lágrimas, até à apoplexia, ante a simples ameaça de objeções. O relativismo militante é um véu de análise racional feito para camuflar a imposição, pela força, de uma vontade irracional. Sua função é cansar, esgotar e calar a inteligência para abrir caminho ao “Triunfo da Vontade”. É um método de discussão inconfundivelmente nazista.
Se você estudar Nietzsche direitinho, verá que toda a filosofia dele não é senão a sistematização e a apologética desse método, hoje adotado pela tropa inteira dos ativistas politicamente corretos. Por trás de toda a sua estudada complexidade, a estratégia do nietzscheísmo é bem simples: trata-se de dissolver em paradoxos relativistas a confiança no conhecimento objetivo, para que, no vácuo restante, a pura vontade de poder tenha espaço para se impor como única autoridade efetiva. Descontada a veemência do estilo pseudoprofético, não raro inflado de hiperbolismo kitsch , não há aí novidade nenhuma. É o velho Eu soberano de Fichte, que abole a estrutura da realidade e impera sobre o nada. É a velha subjetividade transcendental de Kant, que dita regras ao universo em vez de tentar conhecê-lo. É o velho mestre Eckart, proclamando modestamente que Deus precisa dele para existir. É o velho sonho alemão de ser o umbigo do mundo, ou melhor, de fazer do mundo um apêndice do umbigo. Adolescentes vibram com coisas assim. Só alguns deles crescem para perceber a diferença entre essas frescuras e a autêntica filosofia.

Marconi Leal disse...

Após ler o comentário acima, minha alma foi inteiramente tomada por uma complexa questão de cunho filosófico, que talvez os leitores possam me ajudar a resolver. Ao colar um texto de Olavo de Carvalho nos comentários de um blog, anonimamente, mas sob a palavra "Ovídio", quer o sujeito significar que se chama Ovídio e colou o texto aqui sem dar a autoria para passar por seu autor? Ou quer ele, na realidade, dizer que o texto de Olavo de Carvalho é de Ovídio, o poeta clássico - e que já em seu tempo este subido romano tinha pleno conhecimento dos filósofos modernos?

sidnei disse...

Cara, essa do gago foi a melhor de longe!!!! Me acabei de rir!!!
(PS: eu que não caio na besteira de vir aqui te criticar...)

Serbão disse...

Marconi, os posts estão ótimos. lembro que Cristo, na cruz, chamava insistemente:
"Pedro...Pedro..."

até que o apóstolo conseguiu permissão para subir numa escada:
"pois não, Rabbi?"

e Jesus:
"daqui de cima dá pra ver tua casa..."

Jens disse...

Ovídio, Ovídio... Lembrei! Foi assim: Início dos anos 80 ou, mais provável, final dos 70. Nas esquinas de Ipanema (POA), o encontro da avenida Tramandaí com a rua Déa Coufal, próximo a casa da Maria Emília, a mulher do Padre Antônio. Noite.
Ovídio: E aí?
Eu: tudo bem.
Ovídio: Hummm..., super-homem?
Eu: Êpa, estamos aí.
Ovídio: Que tal dissolver, ali no matinho, em paradoxos relativistas a confiança no conhecimento objetivo, para que, no vácuo restante, a pura vontade de poder tenha espaço para se impor como única autoridade efetiva?
Eu: Sei lá, pode ser...
Ovídio: Vamos ousar, querido. Descontada a veemência do estilo pseudoprofético, não raro inflado de hiperbolismo kitsch , não há aí novidade nenhuma. Pode ser ou tá difícil?
Eu: Tô nessa, mas não posso abandonar e veemência do estilo pseudoprofético inflado de hiberbolismo kisthc. É a velha subjetividade transcendental de Kant, que dita regras ao universo em vez de tentar conhecê-lo.
Ovídio: Vai doer?
Eu: Abstraía a realidade, deixe a mente operar num espaço separado onde pode haver apenas autopersuasão hipotética, como num teatro. Enfim, lá vou eu: relaxa e goza.

ACM, direto das trevas disse...

Esse Jens é um vagabundo da mesma laia do desclassificado do Marconi Leal. Ambos não valem nada e vão arder nas profundezas do inferno. Estou aqui esperando vocês, seus sacripantas!

sandra camurça disse...

Genial, Seu Moço. Não sei porque mais esse finalzinho me lembrou um trecho do Auto da Compadecida quando João Grilo, vendo Cristo citar muito a Bíblia, pergunta:
O senhor é protestante, é?

Beijos.

Yvonne disse...

Marconi, morri de rir com os posts. Você é demais. Beijocas

Yvonne disse...

Eu de novo. Você jura que leu e entendeu o Ovídio? Beijocas

Ane Brasil disse...

Hehehehehe! Rapá, a do queijo eu achei demais... e o troço t´-a tão animado por aqui que até debate nos comentários tá rolando...
Olha só: eu, na minha santa e doce ignorança achava que ovídio era o que ficava dentro da oreia...
sorte e saúde pra todos!

Ana Maria disse...

hahaha, cada um melhor que o outro. difícil dizer qual o mais divertido. :-)