23 julho, 2007

JULGAMENTO DE UM RÉU NUMA SOCIEDADE MATRIARCAL (2)


ADVOGADA: E mais. Provas documentais exibem, em duas ocasiões, o réu flagrado no execrável ato de usar a serra do pão para passar requeijão na bolacha, cortar o queijo com a mesma faca que usou na carne e limpar a boca com a toalha da mesa.
RÉU: Nego e repilo, Excelência! Todas as pessoas próximas a mim sabem que eu mergulho a bolacha diretamente no pote como qualquer pessoa civilizada!

ADVOGADA: Trata-se de um homem ignóbil, Excelência, capaz de trocar de canal para o futebol quando a mulher deseja ver a novela das oito.
RÉU: Mas era a final da segunda divisão do campeonato acreano, Excelência!
ADVOGADA: E muito mais teria a dizer, como, por exemplo, referir-me a suas reincidentes recusas a discutir a relação na hora do Jornal Nacional. Mas me calo por aqui, por entender que há indícios suficientes de atentado contra nosso Código.
JUÍZA: Muito bem. Bom, senhor Carlos Antônio, ante provas tão cabais e depoimentos tão definitivos, e após analisar atentamente os autos, só me resta lhe dar uma sentença para escarmento seu, exemplo público e memória dos pósteros: o senhor está condenado a fazer quinze toalhinhas de bordado, quatro meias de tricô, passar pano diariamente na sua casa e usar um absorvente feminino pelos próximos cinco anos.
RÉU: Não, Excelência! Tenha piedade de mim!
JUÍZA: Por fim, doravante e até o final dos seus dias, o senhor está obrigado, por força de lei, a urinar sentado no vaso sanitário.
RÉU: Pelo amor de Deus! Tudo menos isso, Excelência!
JUÍZA: Silêncio! Caso encerrado. Até porque são cinco da tarde e eu tenho hora marcada no cabeleireiro. Guardas! Levem-no! E lembrem-se: o absorvente é interno.
RÉU: (sendo arrastado pelas guardas) Nããão! Interno, nããão!

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