25 julho, 2007

PEQUENOS INCIDENTES OCORRIDOS NA PALESTINA HÁ CERCA DE DOIS MIL ANOS (1)


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— Mulher, cheguei! Mulher! Mas o que é isso?!
— O que é isso pergunto eu! Tu tá enxergando, homem?!
— Não é incrível? Foi um tal de Jerúsio que apareceu na estrada. Cuspiu, passou as mão assim, ói. Fiquei curado.
— Que... que coisa boa!
— Maravilhosa, né? Agora me diga: que faz o vizinho ali no canto do quarto, nu, estirando a língua pra mim?

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— A herança veio em boa hora!
— Finalmente a gente vai poder reformar a casa.
— Sonhei minha vida toda com isso, mulher.
— Graças a Deus!
— Pobre menina.
— Sim, pobre. Mas nos deixou ricos.
— Bom, vamos acompanhar o cortejo até o cemitério?
— Vamos, sim. Ué, mas que tumulto é aquele? Tem um cabeludo se aproximando ali do caixão. Que será que ele vai fa... Filho da p...!

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— E então, trouxe os figos?
— Pai, a figueira tá morta.
— Morta, o quê! Não faz um mês ela tava vivinha!

— Pois morreu, pai.
— Impossível ter morrido em tão pouco tempo, menino! E agora é que ela ia começar a dar frutos!
— Juro, pai! Ela parece que tá ressecada!
— Preguiçoso! Passa pra cá! Tu vai levar uma surra pra aprender a nunca mais mentir!

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— O que é que a senhora tá fazendo aqui, minha sogra?
— Opa! Eu pensei que você tivesse morrido!
— E que malas são essas?
— Bom, como eu pensei que você estivesse morto, vendi minha casa e vim morar aqui com minha filha.
— Morar aqui?
— Bom, agora não tenho mais aonde ir. Vou ter que fi... Não! O que é que você tá fazendo? Larga isso! Não! Não bebe! Me dá! Me dá esse vidro de veneno, Lázaro!

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(CONTINUA AMANHÃ)

8 comentários:

Jens disse...

Marconi:
Depois dessas gracinhas, presumo que não acalentes a idéia de passar a eternidade no Céu, né mesmo?
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Não sou muito de elogiar, mas, como estou de de bem com a vida - momentaneamente - lá vai:
Muito bom, seu viadão! Acertou na mosca, de novo (tadinha das moscas)
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Tô esperando a continuação das Confissões Sexuais, sua besta quadrada! Quando o negócio ia ficar bom parou. Porque parou? Já esqueceu como é que é? (ou foi, no teu caso).
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Arrá! Eu também sou porreta! Eu também sou porreta! Tá lá no Moacy.
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Abração. Tenha uma bela quarta-feira com vinho, mulheres e canções.

Marconi Leal disse...

Pode me elogiar à vontade, companheiro Jens. Os elogios, vindos do senhor, não me atingem. Já passar a eternidade no céu, acho improvável. Primeiro, porque, segundo dizem, lá não tem uísque. E segundo porque Deus é um sujeito maduro, racional, livre de superstições, de maneira que não acredita em mim.

Flávio disse...

Marconi, vc só esqueceu de colocar um Lula das antigas, tomando um homérico porre na águatransformada em vinho... ;)

Franciel disse...

Marconi,
outro dia, no Centro Velho de Soterópolis, um perneta, completamente estropiado e com fome, olhou para o céu e ameaçou: "Cabeludo, fique na sua. Se descer novamente, eu lhe fodo todo".

Não sei se por medo do referido capenga, o fato é que Jesus, que é esperado há mais de doismilanos, até agora ainda não deu o ar da graça.

Marconi Leal disse...

Flávio:

A se crer no que falam do ego presidencial, Flávio, não sei se ele tomaria um porre. Mas certamente tentaria transformar a água em vinho.

Marconi Leal disse...

El Franci:

O Filho do homem não tinha vindo ainda porque tava com medo. Mas agora que Antônio Carlos morreu, qualquer dia tu esbarra com o divino na arquibancada do Barradão, com radinho no ouvido, mulata do lado e camisa do Baêa (ele torce pelo tricolor, porque o Vitória tá muito associado ao Espírito Santo e há uma certa disputa entre os dois pela hegemonia da Santíssima Trindade).

Moacy Cirne disse...

Como sempre, dei boas gaitadas ao ler a postagem de hoje. Um abração.

Ane Brasil disse...

kuaaaaaaaaaaaaaaaa!
Essa série tá algo... deveria ser utilizada pelas catequeistas na evangelização da pirralhada!
sorte e saúde pra todos!