15 junho, 2007

ESTOU PARANDO DE FUMAR (1)


Pessoa com notório domínio sobre si e que, quando coloca uma coisa na cabeça, ninguém tira — estão aí meu dermatologista e sua luta vã contra a minha seborréia que não me deixam mentir —, decidi parar de fumar, mostrando assim para o meu corpo, de maneira definitiva, que só há uma pessoa no mundo capaz de mandar nele: minha mulher.

Tomei a sábia decisão há alguns meses, quando tive um acesso de asma tão violento que fez com que me sentisse um peixe no Rio dos Sinos. E não apenas pela luta para encontrar oxigênio, mas também pela compleição pálida e o olhar sensual de Naná Vasconcelos que adquiri.

Resoluto, logo após aquele incidente, que me levou ao hospital, arfando mais do que o Paulo Ricardo ao cantar música romântica, resolvi ter um grave diálogo diante do espelho:

— Vou parar de fumar — disse firme para ele que, cético, assobiava o Trenzinho Caipira.
— De novo? — riu o espelho, sarcástico e, provocador, passou a trautear o tema de Casablanca.
— Agora é sério.
— Sei. E volta quando?
— Tô falando que é sério. Por que você tá agindo assim?
— Puro reflexo.
— Mas pra que essa cara?
— É a única que você me oferece.
— Você podia ser mais compreensivo.
— E você podia perder uns quilinhos. Já viu como tá gordo?
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Aqui ele começou a assobiar “Olha o passo do elefantinho”, sub-repticiamente.
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— Estúpido! — reagi.
— !odipútsE — falou ele por fim, encerrando a discussão.

Depois desta altercação, decidi imediatamente fazer três coisas. Primeiro, jamais me rebaixar novamente e conversar com um móvel — exceção feita, talvez, à televisão, e ainda assim só para xingar o Carlos Nascimento. Segundo, parar de fumar, custasse o que custasse. Terceiro: perder uns quilinhos, pois o canalha do espelho estava certo.

Comecei pelo mais difícil que, no meu caso, era evitar falar com seres inanimados. Mas a decisão foi por água abaixo quando um exemplar do Aurélio caiu de cima da prateleira do quarto sobre o dedo mínimo do meu pé esquerdo, o que me obrigou a xingar a ascendência completa do ilustre dicionarista, usando palavrões em ordem alfabética e seguindo as normas da ABNT.

Para ganhar tempo, parti então para a segunda alternativa, que era emagrecer. Mas desisti, após dez dias de hercúleos esforços, ao perceber que a única maneira de perder peso seria amputando uma das pernas. E como deixei de ser fã do Roberto Carlos desde a música das gordinhas, abdiquei do plano.Restou então parar de fumar. Reuni, assim, todas as minhas forças e me entreguei de corpo e alma a este novo vício.

Um comentário:

Anônimo disse...

Força vc vai conseguir pelo menos isso né hahaha ;-)
Esse site me ajudou e está ajudando a parar de fumar de uma vez por todas:

http://www.pareagora.com.br

ps: gostei do diálogo hahah