01 junho, 2007

EM DEFESA DE NOSSOS ALTIVOS PARLAMENTARES


Segundo leio nos jornais, o STF barrou o pequeno aumento de 91% que os deputados pretendiam dar-se.
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Via de regra, não costumo confiar na imprensa, procurando, para me informar, compulsar fontes mais verossímeis e fidedignas, como a mitologia clássica e os contos dos irmãos Grimm.
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No entanto, apesar de aparentemente não serem humanos, parece que os jornalistas também erram e, desta vez, ao que tudo indica, a notícia é verdadeira.

Caso isso se confirme, gostaria de, a exemplo de Zola no Caso Dreyfus e dos motoristas paulistanos diariamente, seguir na contramão e, me contrapondo à opinião pública, deixar registrado aqui meu apoio irrestrito aos nossos insignes e sofridos parlamentares.

Primeiramente, aos senhores que andam espalhando por aí uma nefasta campanha contra nossos amados congressistas, afirmo que esses abnegados cidadãos trabalham nada menos que dois dias por semana, dando duro para alimentar suas famílias e amigos com verbas desviadas do orçamento da União – as quais, todos sabem, vivem sendo contingenciadas pelo Executivo.

Além disso, é preciso entender que o mercado de propinas anda em baixa desde a época do mensalão. Em função do que, atualmente, os insensíveis empresários nacionais não querem dar mais que 10 por cento de comissão em obras superfaturadas e apenas 5 por cento para acobertamento de seus delitos em investigações de CPIs.

Imaginem vocês que, ultimamente, nossa Justiça vem permitindo mesmo que se quebre o sigilo bancário de nossas autoridades no Congresso, proibindo assim que elas recebam condignamente o dinheiro suado da corrupção em suas próprias contas.

Isso sem falar no preço extorsivo que os laranjas andam cobrando, nos lobistas cada vez mais sovinas e nos assessores intransigentes, que não permitem que seu chefe embolse parte dos recursos destinados a seus salários — uma tradição que vem desde os tempos do Marechal Deodoro e que, infelizmente, não está sendo respeitada.

Que desejam, então, os que vilmente insultam os nossos representantes no Legislativo? Que eles vivam na miséria, recebendo apenas minguados recursos de caixa 2 ou as insignificantes verbas de gabinete, do auxílio-paletó, do auxílio-moradia, do auxílio-gasolina e de outros mais a que fazem jus, como auxílio-auxílio e o auxílio ancilar do auxílio-auxílio?

Será possível que essas pessoas achem que não fazer nada é fácil? Por acaso já tentaram parar de trabalhar e viver no far niente? É de enlouquecer. Agora imaginem passar quatro anos no ócio, sem uma atividade digna. Não é para qualquer um. Nossos políticos são, na realidade, uns heróis.

Por tudo o que acima deixo dito é que me coloco inteiramente ao lado deles. E acrescento: já está na hora, isso sim, de sairmos às ruas para defender e preservar nossas instituições mais caras e duradouras, como a corrupção de Estado e a malversação de verbas públicas.

Assim me despeço, sabendo poder contar com o apoio de todos vocês.

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