22 maio, 2007

PELA IMEDIATA LEGALIZAÇÃO DOS ENTREGADORES DE PROPINA


Ao contrário de vocês, leitores pessimistas e de má vontade, sempre utilizei este espaço para reafirmar minha fé inabalável no Brasil, o qual, como objeto da minha crença, só perde para a mula-sem-cabeça e o Paulo Maluf.

(E antes que algum descrente queira insinuar que o citado animal folclórico não existe, convido-o a dirimir suas dúvidas ao ouvir qualquer comentário da Sandra Annenberg no Jornal Hoje.)

Apesar do achincalhe da malta ignava, sempre defendi ser este um país que premia os indivíduos de acordo com seus méritos. Sendo o principal deles, por exemplo, o mérito de ter um amigo influente.

Mais do que isso, deixei claro confiar na capacidade empreendedora de nossos cidadãos e na ética inquebrantável de nossos empresários que, ao contrário do que querem insinuar alguns vadios, sempre praticaram a corrupção dentro da lei e no sentido do bem coletivo. Ou alguém, por acaso, ainda duvida que família é coletivo de parente?

Isso para não falarmos, por óbvia, na correção férrea de nossos homens públicos que, em termos de hombridade, só perdem mesmo para a de Platão que, como todos sabem, era um pouco mais larga e lhe rendeu até o apelido.

Homens públicos estes cuja integridade, ousaria mesmo dizer, está em seus genes e cujo compromisso popular é cultivado desde o berço, uma vez que são, todos eles, também filhos de mulheres públicas.

Pois eis que agora, mais uma vez, nosso povo dá mostras de sua inventividade ao criar a figura imprescindível, em nossa pátria, do entregador de propinas - como acaba de revelar a PF no bojo da Operação Navalha.

Pergunto a vocês, derrotistas: há quantos séculos nossa máquina estatal se vê emperrada, muitas vezes, pela simples falta dos 10% por fora que façam andar a papelada?

E aquela multa de trânsito, levada inadvertidamente, só porque não tínhamos um trocado na carteira? Quantos deputados não acordam no meio da noite, com crise de abstinência, sem um número a que possam ligar para ser socorridos?

Ora, uma vez registrada a profissão, o entregador de propina solucionará todos esses problemas, destravando a burocracia e propiciando finalmente o crescimento econômico de que tanto necessitamos.

E o melhor é que, imagino, na esteira da genial criação, surgirão idéias ainda mais notáveis como, por exemplo, a do tíquete-propina, do passe-propina e do auxílio-propina, que facilitarão enormemente as relações entre as esferas publica e privada em território brasileiro.

Sonho mesmo com o dia em que, após anos de aprimoramento, o Estado estará apto a implantar a bolsa-propina para os excluídos das mamatas governamentais.

E então, sempre progredindo, talvez no futuro cheguemos ao ápice desse processo revolucionário: cunharemos a Propina Nova, única moeda no mundo cuja impressão será ilimitada, pois terá como lastro tão-somente a sem-vergonhice nacional.

24 comentários:

Silvio Vasconcellos disse...

Marconi, fundamental a legalização da profissão! Basta de ficar na ilegalidade! E tem mais! Precisa de sindicato: SIMPROMEU seria a sigla: Sindicatos dos Propineiros Mensageiros Unidos. A primeira campanha sindical seria a criação de cuecas com bolsos. Chega de alergia nas partes íntimas por carregar dinheiro tão sujo! Porém, antes de tudo e mesmo da legalização da profissão, alguns "camaradas" já estão em campanha pela substituição do camburão por carros de luxo. É tanto passeio grátis que alguns estão querendo indenização por dores lombares! Tem "profissional" que chega a entrar duas vezes por mês no trans-gatuno que estão pensando em colocar uma causa trabalhista contra os deputados! Por sorte, o judiciário os libera logo para tratamento de saúde, o que permite que saiam confortavelmente em carros de luxo e com vidros escuros.

Amigo, obrigado pela mensagem do uni-verso e no Mini Contos. É sempre bom te receber lá em casa!

cilene disse...

quem colocar o negocio em pratica vai fizar rico...oh Brasiiillllllllll

Jens disse...

Advogando em causa própria, meu bem?
***
Esclarecimento a respeito de seu comentário maldoso na minha Toca: de fato, nos últimos seis meses Godofredo não "pega no breu". Mas graças a um conhecido que recentemente retornou do Paraguai de posse de uma fornada de milgrosas pilulas azuis (15 reais a unidade) isto logo irá mudar, para gáudio de minhas incontáveis fãs.
***
Passar bem.

Alê Namastê disse...

Eu nem sei o que comentar...Eca!
Você escreve muito bem, viu?!
Beijos*

João Áquila Lima dos Santos disse...

Marconi, se legalizarem essa propina não terá mais graça essa atividade.

Gustavo Chaves disse...

que tal mandarmos imediatamente um projeto para a câmara dos deputados?

Yvonne disse...

Marconi queridíssimo, voltei à blogosfera. Chega de tristezas. Muito obrigada pelo carinho.

Hoje eu estava pensando nesses políticos e cheguei a conclusão que eles devem estar certos. Se todos são assim, é porque isso deve ser o normal.

Beijocas

GUGA ALAYON disse...

jõao, sempre exestirá o mercado de propina-paralela usada para corromper os agentes legalizados, não se preocupe.

Franciel disse...

Marconi,
pare com este espírito intervencionista. O mercado, como sabemos, tratará também de resolver mais este problema.

Mani disse...

Já estou convencida de que existe mula-sem-cabeça...Hahaha

Anita disse...

hahahaha: bolsa propina. Será que um indivíduo sem experiência (mas querendo aprender) pode se inscrever?

Beijos

Meneau disse...

Além disso,ao regulamentar a profissão de entregador de propina, combate-se o desemprego. Grande idéia (e pintando uma vaga, tô dentro)

edu disse...

Excelente idéia! Legalizemos o jogo, a distribuição de drogas e a propina! Nada como legalizar pra algo cair em desuso...

Beijo!

edu disse...

Recado urgente que demanda resposta idem:

http://escax.wordpress.com/2007/05/22/recado-para-marconi/

Clodoaldo disse...

O brasileiro é sem dúvida nenhuma o ser mais criativo do mundo nessa área!

Ótimo texto Marconi! Fazia muito tempo que não o lia!

Abraços!

laura disse...

Tks pelo comentário lá.
Gostei do seu humor, só rindo mesmo kakakaka
senão eu me deprimo buáaaaaaaaaa
abs, Laura

R.C disse...

Nao vejo o soooool
Nao vejo a luaaaa
Nao vejo os oio do meu amo

Ai qui do
Ai qui do
Ai qui do

salve Mirto

aos abrax

RF

gui disse...

Grande Marconi!
Há quem jure por tudo o que é mais sagrado que as malas que portavam os milhares de dólares para a compra do dossiê contra o PSDB, durante as eleições presidenciais, eram feitas de couro de mula sem cabeça. Que mundo esse nosso, né?
Um abraço,

Wagner disse...

Pelo visto, o dia com o qual você sonha (a implantação da bolsa-propina) não está muito longe...

Abraço!

Cejunior disse...

Você está colaborando para o programa "Primeiro Emprego". Será que vai ser preciso ter nível universitário ?
Sugiro mais estudos para regulamentar bem a nova profissão!!!
Marconi, mudando de assunto, Romário teve duas oportunidades de fechar o milésimo em cima do meu Fogão! Tinha que sobrar para alguém e foi logo o Sport!
Mas deixa estar... duvido que ele consiga chegar ao gol 2000!!!
Abraços

Sonia disse...

Bolsa-propina para os excluídos das mamatas governamentais. Eu também quero!

Alexandre Pinheiro disse...

coitada da sandra

rosa disse...

Legalizando essa profissão, vão inventar outra, o brasileiro se não puder dar um jeitinho morre!!!

Marco disse...

Grande Marconi,
Quem sabe as Organizações Tabajara não criam o Propineitor Confessor Fultaime para servir de ouvinte para o corrupto moderno?
Carpe Diem.