02 maio, 2007

COMPREI UMA BICICLETA ERGOMÉTRICA (CAPÍTULO FINAL)



Minha guerra com a bicicleta ergométrica foi verdadeiramente titânica. E a maior prova disso é que, a exemplo de Urano, também eu quase perdia minha genitália ao ser acertado por um golpe baixo de guidom.

No entanto, porque pessoa brabosa que não se deixa intimidar pela evidente superioridade técnica do adversário, em apenas três horas de dura batalha, tendo perdido somente parte de um dedo e o senso de ridículo, consegui submeter o fementido aparelho.

Assim, levantei-me do solo mais orgulhoso que cinco Zé Dirceus e, trauteando a musiquinha de “Rocky - Um Lutador”, virei-me para minha mulher, de peito estufado e sorriso tão largo quanto o rombo nas contas públicas:

- Perfeito, hein? Que tal? Perfeito, ahn?
- Sim – respondeu ela, impaciente. E completou: - Sobretudo para o curupira.
- Que curupira? Por que curupira?
- O selim tá apontando pro lado contrário, Marconi!
- E daí? Tu também reclama de tudo, mulher!

Era verdade, companheiros. Da maneira como foi montada a desgraçada geringonça, a menos que a pessoa fosse um grande místico e tivesse bem desenvolvida a visão do terceiro olho, seria impossível pedalar mirando à frente.

Senti, portanto, que aquilo era um chamado à fé. Afinal, no que dependesse de mim, seria mais fácil conversar com uma sarça ardente ou duas do que me prontificar a encarar nova lida com as ferramentas.

- Você vai deixar isso assim?
- Ué? E qual é o problema? Nunca ouviu falar em back spinning?
- Back spinning? É “torcicolo” em inglês?
- Quanta ignorância! Isso é moda nas academias agora, mulher. A pessoa pedala de costas.
- Sei. E bate as asas pra se equilibrar, né?
- Você não confia em mim?
- Pergunta retórica não vale.

De fato, o único inconveniente de pedalar com o selim posto do lado contrário é o fato de que, dessa maneira, não há onde se segurar. Mas, um bom atleta não se deixa intimidar por minigâncias de tal monta.

De maneira que, para mostrar a ela toda a minha perícia e minha cirquedusoléica porção acrobática, respirei fundo, rezei ao Bom Jesus dos Agnósticos, assentei-me galhardamente na máquina e encarei de frente o desafio.

E como não sou homem de encarar de frente apenas desafios, a verdade é que, no minuto seguinte, encarei de frente também o chão.

Aqui, abro um parêntese para fazer as exéquias atrasadas do meu bisavô. Porque a verdade é que, se aquele homem de espírito aventureiro não tem vindo da Síria para se casar no Brasil e, modestamente, ao longo das gerações, não tem me passado o glorioso nariz árabe de que sou portador, teria definitivamente esfacelado o rosto no solo.

Contando, contudo, com o anteparo nasotrombal, me vi salvo. E prometo a vocês que me dedicarei a consertar a bicicleta e iniciar-me-ei na prática masoquista de pedalá-la, em breve. Muito em breve. Tão-logo consiga voltar a ler o jornal sem precisar que alguém o segure aberto a dois metros de mim.

21 comentários:

Sandrinha disse...

rsrsrs muito bom rsrsrsrs

edu disse...

Você é meu orgulho!! :-)

Kah disse...

Parabéns(ainda pela metade,acha visto o gidão ainda fora do lugar.Provastes ser um bravo guerreiro, não desistiu da peleja, mesmo sendo ela ardua, mas pelo amor de Deus me explique que diabos quer dizer cirquedusoléica.Um beijo e ótimo restinho de semana!!!

sandra camurça disse...

Ótima história! Mas pressinto que daqui a alguns meses a pobre coitada (a baique) estará sofrendo efeitos de oxidação.

E tem resposta aos seus comentários no refúgio.

Beijos.

Márcia(clarinha) disse...

Putz, quando você tem uma meta mergulha de cara, ô homem bom! rsss
Adorei Marconi,valeu o esforço e melhoras aí vai...:)
linda noite
beijossssssssss

Osc@r Luiz disse...

Tem promoção de Bicicletas Ergométricas aqui em Cuiabá.
Interessado????
Hahahahah!
Um grande abraço!

Jorge Sobesta disse...

James seu malandrão,

Da bicicleta você escapou, e quanto ao seu velho e bom espelho super-ego?

hehe

Grande Abraço.

Acantha disse...

Muito bom, Marconi. Como sempre, aliás...

Sandra disse...

Miguinho... Esquece os alfaces (lembra??) e joga fora a magrela estática!
Basta cortar a breja e a pizza (inclusive "aquela" que o Mr. Bean só promete, promete e nunca convida a gente) que tu emagrece!! Quando vier aqui em casa de novo só te darei suquinho... A geladinha só para as moças: Pat e Rebecca!!! hahahaha ( e eu, claro!)

Beijos

paulo vigu disse...

" A pessoa pedala de costas" e "E bate as asas pra se equilibrar" é muito bom, nesse mundão virado do avesso. Riodaqui/abraço/Paulo Vigu

Moacy Cirne disse...

Final hilariante, à altura de toda a "saga da bicicleta". Um abraço. E boas pedaladas.

Flávio disse...

Marconi, espero que não aconteça à sua bicicleta o que aconteceu á minha esteira, que ao fim de 6 meses foi promovida a cabide de luxo. Insista, mano!!! :)

Costajr disse...

Dessa Odisséia, uma lição fica: dedique-se aos textos, não à linha de montagem!

um abraço.

Franciel disse...

Marconi,
pelo menos você fica impossibilitado de ler jornais por uns dias e pode mentir sozinho.

sidnei disse...

Diga se esse processo já não está sendo uma senhora ginástica pra vc??? Até a mente vc anda exercitando, ora!!!

Regina disse...

Oi, guri!
Vou aguardar pelas crônicas sobre o cabide que vai virar a ergô.
Continuas maravilhoso como sempre.
Beijo no coração!

Mani disse...

Tadinho...Ainda bem que seu avô decidiu vir pro Brasil!

adelaide amorim disse...

Hilária essa história da bicicleta, Marconi. Adorei :O)))
Abraço.

Jens disse...

Fementino? Estás de brincadeira. Outra dessas e vou sair na porrada, seu pérfido.

Marco disse...

Mas, olha, você tem que admitir que perdeu uns vinte quilos tentanto montar essa caranguejola! Vai ver que este era o objetivo do fabricante, fazer a criatura perder o excesso de adiposidades na montagem da coisa. Carpe Diem.

Saramar disse...

rsssssssssssssssssssssssss....
Ai, Marconi, cada dia você fica melhor, mesmo com o nariz quebrado (tadinho!).

beijos