01 maio, 2007

BREVE HISTÓRIA DA HUMANIDADE: UMA ABORDAGEM PROCTOLÓGICA


A evolução humana pode ser dividida em dois grandes períodos históricos, a saber: ADS e DDS. Ou seja, Antes da Ducha de Sanitário e Depois da Ducha de Sanitário.

No princípio, nossos ancestrais faziam suas necessidades por toda parte, sem preocupação com o asseio e, muitas vezes, melando outros indivíduos. O que leva a crer que o comportamento dos políticos é atávico e se origina naquele ponto de nossa história.

Um belo dia, no entanto, milênios após o surgimento de nosso primeiro antepassado, um membro daquela comunidade primitiva fazia suas necessidades calmamente atrás de um arbusto, quando viu surgir um mamute. Em sua fuga desabalada pela savana, jogou fora a Playboy, correu na direção de um abismo e acabou caindo sentado sobre uma bananeira.

Morreu empalado, mas seus contemporâneos descobriram um nobre uso para a folha daquela planta. Surgia então o Homo Bundussujus. Além, claro, do Homo Sexual, ramo de nossa espécie que floresceria milênios mais tarde na Grécia Antiga.

É bem verdade que, naquela noite dos tempos, houve certa confusão entre a folha de bananeira e a de urtiga, o que ocasionou o surgimento de um hominídeo chamado Homo Bundacossandus, o qual teve vida curta, uma vez que o gelo em cubos só seria inventado no século XIX.

A folha de bananeira, por outro lado, seria usada durante incontáveis séculos, produzindo os primeiros desmatamentos em grande escala de que se tem notícia, bem como o salutar hábito de lavar as mãos antes das refeições.

As coisas estavam mais ou menos nesse pé (não o de bananeira), quando, no século XVI, o genial Gutenberg inventou a prensa móvel. A partir de então, seria popularizado o jornal e, o que é melhor, o jornal velho, que logo substituiria a folha de bananeira na toalete básica. Surgia assim o Homo Bundassadus.

Contudo, em sua incansável luta para superar obstáculos e, principalmente, combater oxiúros, o homem acabou eliminando a parte supérflua do jornal impresso. Produziu um papel que não continha nada escrito e, mais importante, sem a coluna da Eliane Cantanhêde.

Nascia o Homo Sapiens ou, em bom português, o “homem sapo”, nomenclatura que deriva evidentemente da posição em que a gente fica para se limpar.

O papel higiênico certamente marca uma fase brilhante na escalada evolutiva da humanidade, mas não eliminou o que os especialistas chamam de Grave Problema da
Conferida (ou GCP, do inglês Grave Checking Problem). Ou seja, o tempo que o indivíduo gasta olhando pateticamente para o bolinho de papel que acabou de passar em si para ver se está devidamente limpo — sabendo de antemão, na maioria das vezes, que não está.

Com o desenvolvimento do capitalismo, o GCP tornou-se insustentável. O próprio Marx desenvolveu uma fórmula para calcular a relação mais-valia x metros de papel usado pelo trabalhador, enquanto Keynes defendia a intervenção estatal para regular o preço do produto.

Mais tarde, quando Nixon resolveu lastrear o dólar nas reservas de papel higiênico produzido nos EUA, o capitalismo mundial entrou em crise. E, em 1987, a Bolsa de Nova York caiu vertiginosamente após a subida no preço desse commodity, arrastando as pregas, digo, os pregões de todo o mundo.

No entanto, precisamente naquela década, surgiria a tão sonhada ducha de sanitário. No comércio, diga-se, já que um primeiro projeto havia sido rascunhado na Renascença pelo mestre Leonardo da Vinci, que utilizou como matéria-prima intestino de carneiro no lugar da mangueira.

Testes recentes, inclusive, comprovaram que o aparelho de Leonardo funcionava perfeitamente, apenas o odor é que ficava relativamente pior do que se você não houvesse se limpado.

Seja como for, o fato é que, com a comercialização das duchas de sanitário, o sistema capitalista internacional voltaria a se robustecer, dando início ao processo que hoje se conhece como globalização e propiciando o aparecimento do homem contemporâneo, o Homo Bundalavadus.

É certo que, desde então, alguns setores da indústria entraram em crise, como o de medicamentos para hemorróidas e o de talco para assaduras. Mas nunca, como agora, o ser humano esteve tão apto a enfrentar os desafios do mundo moderno. E, mais especificamente, aqueles decorrentes da ingestão de uma feijoada.

Nenhum comentário: