13 abril, 2007

TPM


Eu admito que a guerra é uma calamidade e que a fome e a miséria são aberrações sem tamanho. Tudo bem. Mas acho que a ONU deve começar a considerar seriamente, entre os flagelos que perturbam a humanidade e tiram a paz do mundo, a TPM.

Não sei exatamente qual a relação dos leitores com a supracitada. Falo dos leitores porque, evidentemente, são os mais afetados por ela, sendo as mulheres apenas um meio através do qual o dia estará irremediavelmente perdido.

Quanto a mim, me esforço por ser compreensivo. É certo que a minha sensibilidade fica um tanto ou quanto prejudicada quando estou tentando desviar de vasos e porta-retratos atirados contra mim, mas procuro não perder a serenidade. E, assim, cometo um erro fundamental em se tratando de TPM: busco o diálogo.

Se alguém já tentou argumentar com uma mulher de TPM, pode ter a exata dimensão da tolice que isso representa. Uma mulher de TPM joga por terra toda a dialética hegeliana com um simples esgar e, sorrindo sarcasticamente, desmonta uma por uma as categorias kantianas, além de um ou outro móvel que esteja ao alcance de sua mão.

Ficar calado tampouco funciona. O silêncio é uma aberrante confissão de culpa, ainda que você não tenha a mínima idéia do motivo de sua condenação e, muito menos, do porquê de sua coleção de CDs estar dentro da privada, juntamente com aquele livro de Poe que você estava relendo e os restos digeridos da feijoada de ontem.

Que fazer, então? Talvez o mais sábio seja tratar o problema como uma catástrofe natural de menor porte, como a avalanche, o furacão ou o tsunami. E esperar, calmamente, que as forças de resgate cheguem. Após quatro ou cinco dias.

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