28 março, 2007

PONTO G


— Isso, Astolofo! Vem! Continua, Astolfo! Ai! Uhm! Ai, Astolfo... Isso! Ai, Astolf... Ai, ai, Ast... Astolfo, o que é que você tá fazendo com essa lanterna aí?
— Procurando.
— Procurando o quê, Astolfo, o meu útero?
— Não, o ponto G. Isso, fica paradinha, agora.
— Eu não posso acreditar! O Astolfo pára no meio da transa pra procurar o ponto G!
— É pro teu próprio bem. Bota a perna um pouco pra lá, assim.
— Astolfo! Sai, Astolfo, sai! Eu... O que é isso?! Uma lente de aumento agora?
— Calma aí. Não vai doer. Onde será que fica esse danado, rapaz?
— A gente transa há trinta anos sem esse maldito ponto G. Pra que procurar isso agora, meu Deus? Tuas esquisitices tão demais, Astolfo! Já não basta semana passada ter mostrado a bunda pra velhinha do 41, no elevador?
— Ela mereceu.
— Mereceu por quê? Só porque ela votou no Serra?
— No Serra e no Maluf. Se fosse só no Serra, eu tinha dado uma banana.
— A velha quase morre, Astolfo!
— Não sei por quê. Se votou no Maluf, não devia se espantar com buracos. Isso, agora vem mais pra cá...
— Não e não! Tá pensando o quê? Que eu sou modelo de aula de anatomia?
— Isso, olha aí, faz de conta que eu sou o Rembrandt.
— Bom, infelizmente, a brocha você já tem...
— Mulher, não brinca. Assim eu perco a concentração.
— Não adianta, Astolfo. Daquela vez que tu testou a eficácia dos dedinhos do pé no massageamento do clitóris, eu aceitei. Mas isso agora é demais.
— Tem paciência. Vem. Chega aqui.
— Não, não e não! Já disse, acabou-se, pernas cruzadas, papo encerrado. E parabéns, porque se não atingiu o ponto G, você pelo menos me fez alcançar o ponto morto.
— Ah, não fica assim, tolinha. Olha que eu te lambo, hein?
— Ui! Qui, qui, qui! Uhm... Ai, Astolfo!
— Assim?
— Delícia, Astolfo!
— E agora?
— Ai, aaai, Astolfo!
— Uhm-hum?
— Não pára! Ai! Vem! Chega! Sobre pra cá! Anda! Ai! Isso! Vem! Ui! Vem, Astolfo, vem logo, vem me... vem me... Astolfo, largue esse binóculo agora ou eu vou pedir separação!

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