28 fevereiro, 2007

POR UM MUNDO MAIS LIMPO


Segundo leio nos jornais — sim, cidadãos, eu ainda leio jornais; afinal, na vida, todo mundo precisa de um pouco de ficção —, o grande passo que a nossa ciência pretende dar neste século, em matéria de energia, é o da fusão nuclear.

Acho louvável que os cientistas estejam à cata de produzir um tipo de energia que não polua o meio ambiente e não ameace a vida na Terra, ao contrário daquela gerada pelos combustíveis fósseis ou, pior, da energia sexual que gerou o George Bush.

No entanto, creio que uma verdadeira revolução no conceito de matriz energética aconteceria caso o ser humano conseguisse extrair energia de uma fonte um pouco mais perigosa do que a nuclear, mas muito mais abundante do que o átomo: a mulher de TPM.

Imaginem os senhores se toda a energia gasta nas discussões sobre se, enfim, existe em algum recanto do universo um vestido que combine com a sandália; se a palavra “amor” é, de fato, carinhosa e não contém nenhum sentido pejorativo; ou, algo ainda mais sensato e coerente, se a secretária banguela, maneta e corcunda do escritório está tendo um caso com o seu marido, fosse canalizada para a produção de um combustível capaz de mover automóveis e impulsionar a indústria.

Sei que os derrotistas e fracassomaníacos de sempre, que tanto têm contribuído para a má avaliação de nosso impoluto Congresso Nacional, dirão que estou com pequices e me acusarão de insanável descoco.

Afirmarão que a idéia não dará certo porque, por exemplo, um carro movido a TPM irá para trás quando a gente quiser que ele vá para frente, perderá o freio nos momentos mais delicados, soltará uma gargalhada sarcástica quando furar o pneu, enfim, atentará irremediavelmente contra a paciência do motorista, mormente nos dias em que ele estiver mais feliz.

Outros insinuarão que a energia inconstante gerada pela TPM provocará, por vezes, sucessivas quedas na voltagem. E, de outras, elevará a tensão a níveis insuportáveis, ocasionando problemas onde não deveriam existir e transformando pequenas falhas contornáveis em grandiosos desastres.

Confio, contudo, em nossos tenazes cientistas e torço para que nossos sábios pesquisadores consigam, talvez se utilizando de uma composto de estrogênio e Ponstan, estabilizar esta promissora, ainda que volúvel, torrente energética.

Quando pouco, creio que os estudos para seu desenvolvimento poderão engendrar produtos colaterais, como um remédio contra a inabalável TPM. Evitando assim, como hoje, que por uma profunda ignorância relativa às evidentes diferenças entre o branco-pérola e o branco-marfim, eu seja obrigado a dormir no sofá novamente.

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